Presos após terrorismo no DF alegam que não sabiam sobre o objetivo dos atos

Mulheres são as mais arrependidas de participar da invasão e depredação de prédios públicos

Presos após terrorismo no DF dizem que não foram informados sobre o objetivo dos atos (REUTERS/Antonio Cascio)
Presos após terrorismo no DF dizem que não foram informados sobre o objetivo dos atos

(REUTERS/Antonio Cascio)

Extremistas presos após os atos de terrorismo no Distrito Federal (DF) alegam que não sabiam sobre o objetivo da manifestação. É o que afirma Carolina Castelliano, secretária de Atuação no Sistema Prisional da Defensoria Pública da União, ao UOL News.

Segundo a profissional, muitos dos presos relatam:

  • Compartilhar da indignação do resultado das eleições;

  • Terem sido convidados para ir à Brasília participar das manifestações;

  • Toparem o convite, mas não saber sobre o real objetivo dos atos.

“A gente não tem como mensurar a quantidade de pessoas que sabia e não sabia", pontua, referindo-se à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes – Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF).

Carolina destaca que as mulheres são as que mais se arrependem de irem aos atos, especialmente por conta da maioria ser responsável por alguém – como filho, sobrinho, pai ou mãe idosos.

“O que elas nos apresentam é um grau absurdo de arrependimento de estar colocando as pessoas em relação às quais elas são responsáveis em uma situação de vulnerabilidade”, diz.

Sem tratamento diferenciado. A secretária ainda comenta que nenhum preso pelos atos golpistas está recebendo tratamento diferenciado.

Em ocasiões passadas, juízes relataram que vândalos estariam reclamando da falta de conforto na cela e fazendo pedidos inusitados. Houve protestos pela falta de água gelada, sinal de Wi-Fi, repetição da comida e queixas sobre Coca-Cola ser a única bebida oferecida.

“Todos estão alocados nas celas que deveriam estar, sofrendo todas as mazelas que o cárcere brasileiro é capaz de proporcionar, como superlotação e o problema da alimentação em presídio. Se em um primeiro momento tivemos notícias de ingresso de celular e reclamação de Wi-fi, posso dizer que hoje dentro do sistema prisional do Distrito Federal, não é essa a realidade”, afirma.

“Iludidos”. Antes de Carolina, um procurador contou que muitos presos demonstraram arrependimento em participar dos atos. Vários choraram e se disseram “iludidos por Jair Bolsonaro”.

Parte dos manifestantes também relatou que não tinha a intenção de invadir prédios públicos e que foram presos dentro dessas instalações porque tentaram se proteger das bombas. O mesmo relato já havia sido dado em depoimentos à polícia.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

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