Presos na Operação Fatura Exposta são levados para presídio de Bangu

Vladimir Platonow* - Repórter da Agência Brasil

Os três presos na Operação Fatura Exposta, deflagrada hoje (11), pela Polícia Federal (PF), foram levados para o Complexo Prisional de Gericinó, em Bangu, onde cumprirão prisão preventiva, determinada pela Justiça Federal.

O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita saíram às 15h10 da Superintendência da Polícia Federal, na região portuária, e seguiram para o Instituto Médico-Legal (IML), onde permaneceram por cerca de 15 minutos. Saíram em duas viaturas da PF, rumo à unidade prisional em Benfica, onde passaram por uma triagem para determinar em qual unidade de Bangu irão ficar, de acordo com o grau de escolaridade.

Eles foram presos nas primeiras horas desta manhã, em suas residências, acusados de corrupção na venda de insumos e materiais para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na época em que Côrtes dirigia a entidade. Segundo a PF, o esquema, que envolvia superfaturamento, sonegação de impostos e pagamentos de propinas, continuou quando Côrtes assumiu a Secretaria Estadual de Saúde, durante o governo de Sérgio Cabral.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Côrtes receberia 2% de contratos firmados para aquisição de equipamentos e próteses. O ex-governador ficaria com mais 5%, que renderam a Cabral ao menos R$ 16,4 milhões no período investigado. O percentual que era desviado chegava a 10% dos contratos, com recursos destinados também a operadores do esquema, servidores públicos e ao Tribunal de Contas do Estado.

Os pagamentos eram depositados em uma conta no exterior, pertencente ao empresário Miguel Iskin. A investigação rastreou que, recentemente, Iskin tentou repatriar R$ 70 milhões. Ele é o dono de empresas fornecedoras de equipamentos e próteses ao estado do Rio e ao Into e também é suspeito de comandar um cartel internacional para assumir contratos abertos em pregões eletrônicos.

De acordo com a investigação, por meio dos pregões, a quadrilha chegava a arrecadar 40% dos contratos internacionais, acrescentando nos custos o valor de tributos que não precisavam ser pagos na importação.

Os advogados Gustavo Teixeira e Rafael Kullmann, que representam Sérgio Côrtes, afirmam que ele tem todo interesse em elucidar os fatos e que no momento oportuno o seu cliente provará sua inocência.

*Colaborou Vinícius Lisboa // Texto ampliado às 17h39 para acréscimo das informações fornecidas pela defesa de Sérgio Côrtes