Presos suspeitos de assaltar passageiros e de espancar funcionários da SuperVia

Três suspeitos de integrar uma quadrilha de assaltantes responsável por parte dos 17 ataques ocorridos contra funcionários da SuperVia, entre janeiro e dezembro de 2022, estão atrás das grades. Dois homens foram presos, neste domingo, durante uma operação da Polícia Militar. Já um primeiro integrante havia sido capturado pela Polícia Civil, no último dia 15 de dezembro. Num dos casos, ocorrido na madrugada do dia 8 de dezembro último, trabalhadores que faziam a manutenção da linha férrea foram espancados e roubados pelo bando. Na ocasião, uma das vítimas chegou a sofrer traumatismo craniano e precisou ser socorrida em um hospital.

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O trio já foi reconhecido em pelo menos três dos roubos. De acordo com as investigações, além de roubar funcionários da concessionária, o bando também é suspeito de assaltar passageiros de trens e pedestres. Os homens detidos, neste domingo, foram localizados na Praça do Skate, na Mangueira, em São Cristóvão, por policiais do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFER), agentes do 4ºBPM (São Cristóvão) e militares do setor de inteligência da Polícia Militar, que contaram com o apoio de equipes de segurança empresarial da SuperVia. Levados à 17ª DP (São Cristóvão), eles foram reconhecidos por vítimas dos assaltos e tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça. O primeiro suspeito já havia sido preso, no dia 15 de dezembro, por equipes da 17ªDP( São Cristóvão) e do Departamento Geral de Polícia Especializada.

O delegado Marcus Henrique, da 17ªDP, que investiga o caso, disse que trabalha com a hipótese de que o trio preso atue com outros indivíduos. E que seja responsável ainda por outros tipos de roubo. Todos terão as prisões preventivas solicitadas à Justiça.

—Vamos pedir a preventiva deles. São roubadores. Roubam passageiros, transeuntes e funcionários. Estamos investigando a participação deles em outros crimes —disse o delegado Marcus Henrique, acresecentando que o trio também é suspeito de atacar pedestres e passageiros em uma passarela e nas proximidades da estação de trens de São Cristóvão .

O último ataque do bando ocorreu na madrugada do último dia 8 de dezembro. Dois funcionários da SuperVia faziam uma capina química às margens de trilhos, no trecho entre São Cristóvão e a Praça da Bandeira, quando foram rendidos por três bandidos com facões. Mesmo sem esboçar reação, os trabalhadores foram levados para um veículo de manutenção da concessionária. No interior do veículo, tiveram as mãos amarradas e começam a levar socos, chutes e pauladas.

Devido a várias pancadas na cabeça, uma das vítimas sofreu traumatismo craniano. E, ao fim do espancamento, a outra teve de engolir a espuma de um extintor. Em seguida, os criminosos fugiram levando dinheiro, celulares e ferramentas. Horas depois do crime, os assaltantes usaram dos telefones roubados, que pertence a SuperVia, para acessar o aplicativo de mensagens de um grupo de funcionários e debochar do estado de saúde dos trabalhadores atacados.

“Tomara que eles morram. Kkkkkk. Foi paulada que rupiou eles (sic)”, escreveu um dos assaltantes na mensagem.

Na madrugada do dia 15 de novembro outro ataque já havia sido registrado no mesmo trecho. Na ocasião, por volta das 3h, três homens também armados com facões, atacaram seis trabalhadores que faziam reparos em cabos. As vítimas foram agredidas com tapas e socos e mantidas reféns em um trem de manutenção. Depois de uma hora de tortura psicológica, que incluiu até uma ameaça de detonação de uma granada, os bandidos fugiram levando telefones da SuperVia e ferramentas.

Já no dia 8 de abril, dois funcionários da concessionária também foram rendidos perto da estação de São Cristóvão. Eles instalavam novos cabos (os anteriores haviam sido roubados) quando um trio com facões os cercou. Novamente, ferramentas foram roubadas, além de pertences dos trabalhadores.

Em todos os casos citados, os bandidos entraram na linha férrea por passagens clandestinas.

Ao todo, 17 assaltos contra equipes de manutenção ocorreram em 2022, mas apenas cinco foram registrados em delegacias. Nos outros 12, a SuperVia não teve bens roubados e funcionários optaram por não acionar a polícia.