Pressão política fez aumentar diretoria da Antaq

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.11.2021 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.11.2021 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Pressão política por mais vagas em agências reguladoras fez aumentar o número de assentos na diretoria da Antaq. O conselho da Agência Nacional de Transportes Aquaviários passou de três para cinco integrantes.

Inicialmente, a reestruturação foi apresentada ao presidente da agência, Eduardo Nery, com um enxugamento orçamentário: ele teria de cortar uma superintendência, o que comprometeria o desenrolar dos processos.

Diante da resistência, foram criadas duas novas vagas na diretoria e o Senado e a Câmara fizeram as indicações. A ampliação será custeada com aumento de despesa de pessoal e a superintendência foi preservada.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicou Caio Farias para uma das vagas. Ele é filho de PC Farias, ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello. O presidente do Senado indicou o ex-superintendente de outorgas, Alber Vasconcellos.

Esse arranjo ocorreu com a mediação dos ministérios da Economia e o da Infraestrutura que, com a ampliação da diretoria da Antaq, conseguiram destravar a indicação do vice-almirante Wilson Pereira de Lima Filho para outra vaga (a terceira) que estava aberta.

Lima foi indicado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro meses antes, mas o nome ficou parado no Congresso à espera da reestruturação da Antaq.

Com a saída de Tarcísio de Freitas do Ministério da Infraestrutura para disputar o governo de São Paulo, o presidente do Senado conseguiu barrar as indicações do governo na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Davi Barreto, indicado de Tarcísio, seria presidente, mas foi preterido. Ele conduzia o processo de abertura do mercado de transporte interestadual, mas perdeu força.

O assunto está travado no gabinete do ministro do TCU Antonio Anastasia, que, segundo interlocutores, avalia a derrubada de uma portaria que abre o setor para empresas como Buser e outras, que operam por meio de aplicativos.