'Pressa para a vacina não se justifica', diz Bolsonaro sobre imunizante contra a Covid-19

THIAGO RESENDE
·2 minuto de leitura
Foto de Bolsonaro em pronunciamento de 17 de dezembro. Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images
Foto de Bolsonaro em pronunciamento de 17 de dezembro. Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse neste sábado (19) não ter pressa para comprar vacina contra a Covid-19, apesar de recente alta no número de casos e mortes provocadas pelo vírus.

"A pandemia realmente está chegando ao fim. Os números têm mostrado isso aí. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que se chama de pequeno repique; pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas", afirmou o presidente em entrevista concedida ao próprio filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Leia também

Bolsonaro assinou nesta quinta-feira (17) uma MP (Medida Provisória) que destina R$ 20 bilhões para o Ministério da Saúde, recursos que serão utilizados para a compra de vacinas contra a Covid-19.

"Não tenho pressa para gastar esse dinheiro", declarou o presidente na entrevista veiculada neste sábado no canal de YouTube do filho.

Os recursos devem ser utilizados para financiar o plano nacional de imunização contra a Covid-19. Segundo o Palácio do Planalto, os R$ 20 bilhões cobrirão as "despesas com a compra das doses de vacina, seringas, agulhas, logística, comunicação e todas as despesas que sejam necessárias para vacinar a população".

Bolsonaro voltou a dizer que a vacinação será voluntária, apesar de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter decidido nesta semana que deverá ser obrigatória.

O presidente argumenta que, para uma vacina ser usada no Brasil, precisa passar pelo crivo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A Câmara aprovou nesta semana um projeto com regras mais flexíveis para que agência conceda autorização temporária de uso emergencial para importação e distribuição de vacinas contra o coronavírus.

A agência, segundo o projeto, tem que responder ao pedido de uso emergencial do imunizante em até cinco dias. Nesta segunda (14), a Anvisa informou que, assim que receber pedidos de fabricantes, decidirá sobre o caso em um prazo de até dez dias.

Além disso, para acelerar o processo, o texto aprovado pela Câmara permite que o uso emergencial seja chancelado pela agência desde que a vacina já tenha sido aprovada por órgãos de outros países, como FDA (Estados Unidos), EMA (União Europeia), PMDA (Japão), NMPA (China), HC (Canadá), MHRA (Reino Unido).