Pressionada a manter prisão de deputado, relatora diz que quer ouvir Silveira antes da decisão

Julia Lindner e Natália Portinari
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - Pressionada a sugerir a manutenção da prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) em seu parecer, a relatora do caso, Magda Mofatto (PL-GO) afirmou na tarde desta sexta-feira que quer ouvi-lo em plenário antes da decisão. Ao GLOBO, ela disse que o momento "exige cautela" e o caso é "excepcional".

- Continuo reunida com a assessoria técnica, conversando, analisando, ainda não tenho o parecer definitivo. Inclusive, acho que eu deveria primeiro ouvir as palavras do deputado Daniel Silveira, que vai se defender por internet, por vídeo, durante a sessão. Acho muito importante ouvir ele. Vai ser crucial - disse Magda a menos de duas horas da sessão.

Segundo a deputada, o momento exige "muita cautela", pois o caso é excepcional.

- É uma decisão política, um caso excepcional, a excepcionalidade está presente. Temos que analisar profundamente e não tomar uma decisão precipitada - afirmou.

A parlamentar foi indicada hoje pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e a decisão pegou alguns congressistas de surpresa. Ontem, Lira havia sinalizado pelo nome de Carlos Sampaio (PSDB-SP). Assim como Mofatto deve fazer, Sampaio defenderia a manutenção da prisão.

O tucano e promotor licenciado do Ministério Público de São Paulo, porém, não aceitou a sugestão de incluir em seu texto críticas ao ativismo judicial e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como queriam líderes do Centrão. A discordância levou a cúpula da Câmara a procurar outro nome.

A previsão de lideranças do Centrão é de que Mofatto irá delimitar que a prisão de um deputado em flagrante é uma situação excepcional, dando um recado de que o Supremo não pode invadir as atribuições da Câmara dos Deputados. A ideia é defender a prisão, mas fazer uma defesa corporativa dos interesses dos deputados em casos como esses.

Sobre a indicação, Magda deixou claro que não partiu dela a iniciativa de pleitear o posto:

- Como deputada federal que sou, eu tenho que estar à disposição e, sendo escolhida, tenho que fazer a minha parte. Não me coloquei à disposição (nesse caso), mas com certeza meu nome sempre estará à disposição do Congresso. A tarefa do parlamentar é estar presente.

Ao longo do dia, a bancada do PL, partido de Magda, manteve um cenário indefinido sobre a postura na votação. Os debates ocorreram por um grupo de WhatsApp da bancada. De acordo com um dos integrantes, a posição será definida até o momento de apresentar o relatório.