Pressionado, Alcolumbre recua e exclui professores de congelamento de salários

Amanda Almeida e Isabella Macedo

BRASÍLIA - Duas horas depois de apresentar seu relatório sobre a proposta de socorro a estados e municípios, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) recuou, nesta quarta-feira, e excluiu os professores da educação pública congelamento de salários de servidores públicos por 18 meses.

- Pedindo o apoio de Vossas Excelências para que a gente possa sair unificados desta Casa, eu quero incluir os trabalhadores da educação entre as exceções previstas. Será por meio da educação e com o trabalho de nossos professores que nós conseguiremos sair desta pandemia, superar esta crise e sair com o país mais fortalecido, sobrevivendo desta crise econômica brutal que essa crise gerou a todos nós - disse Alcolumbre.

No relatório apresentado mais cedo, Alcolumbre (DEM-AP) havia aceitado parte das mudanças feitas pela Câmara na proposta. Ele havia excluído agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais, agentes socioeducativos, profissionais de limpeza urbana, além dos profissionais de saúde e assistência social do congelamento.

Os deputados também haviam excluído os professores. A equipe econômica do governo, no entanto, passou esta quarta-feira fazendo apelos para que Alcolumbre mantivesse a previsão de congelamento para a categoria. Segundo cálculos do Ministério da Economia, as mudanças da Câmara reduzem em R$ 87 bilhões o impacto dessa medida.

Nas últimas horas, no entanto, senadores pressionaram Alcolumbre pela inclusão da categoria. Ameaçaram não aprovar o texto caso os professores não fossem excluídos do congelamento. O presidente do Senado acabou cedendo.

A proposta está em votação nesta quarta-feira. Esse congelamento é uma contrapartida pedida pelo governo para o repasse de R$ 60 bilhões de auxílio para estados e municípios.

No início da sessão, Alcolumbre fez longo desabafo. Ele se defendeu de críticas que vem sofrendo por ter previsto a medida sobre servidores públicos em seu relatório.

- Seria eu o responsável por prejudicar os servidores públicos do Brasil? Jamais pensei e planejei prejudicar, de qualquer maneira, o servidor público. O que nós estamos pedindo é uma colaboração, uma contribuição, uma participação. Eu escuto as pessoas falarem de injustiça com servidor. A proposta era reduzir 25% do salário dos servidores públicos do Brasil - disse.