Pressionado por alimentos, INPC que mede inflação das famílias com menor renda pode ter superado os 5% em 2020

Pollyanna Brêtas
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Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, de 2020 será divulgado no próximo dia 12 de janeiro e poderá se aproximar ou ficar acima de 5%. A projeção é do economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo ele, IPC-M, medido pela FGV, já ficou em 4,81%. O INPC é usado para reajustar o salário mínimo e os valores das aposentadorias e pensões.

Em 2021, mesmo após enviar ao Congresso uma proposta de piso de R$ 1.088, o presidente Bolsonaro editou uma Medida Provisória aumentando o valor para R$ 1.100. O reajuste em relação a 2020 ficou em 5,26%. Foi levado em consideração o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro a novembro e a variação estimada do mercado financeiro para o índice em dezembro de 2020.

A taxa sofrerá um impacto da alta dos alimentos, que em 2020 pressionou a inflação e encerrou o ano com um acumulado de quase 20%.

— No mês passado, nós não tivemos trégua no alimento. A carne bovina, suína e aves subiram de preços e este impacto vai ser apresentado pelo índice. Ainda disso, a cobrança da bandeira vermelha patamar, ou seja, o custo da energia pesa mais para os menos favorecidos Quem ganha menos, sente mais o peso dos alimentos porque boa parte do seu orçamento é para comprar comida — explica Braz. — Pode ser que as famílias de renda mais baixa tenham percebido uma inflação ainda mais alta já que o índice sozinho muitas vezes e não reflete exatamente o drama de cada familia.

Braz lembra que, embora algumas categorias tenham pressionado a inflação, outros grupos que tiveram impacto contrário vão ajudar a conter o índice:

— Os preços dos planos de saúde, das mensalidades escolares e tarifas de serviços não subiram tanto.

Negociações coletivas

Quase metade das negociações coletivas feitas entre empresas e trabalhadores em novembro não conseguiram repor a inflação. Segundo dados do Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que analisa dados de convenções e acordos coletivo, 47,4% dos acordos terminaram com um reajuste salarial abaixo do INPC, calculado pelo IBGE. Menos de 1 em cada 10 acordos terminou em reajuste com ganho real para os funcionários.

O dado representa perda no poder de compra do trabalhador. O levantamento também mostra que somente 9,8% das negociações chegaram à concessão de aumento acima da inflação acumulada.

Em 42,8% dos casos as negociações terminaram com reajuste que apenas repôs as perdas da inflação de 2020. O reajuste médio aplicado aos salários foi de 4% em novembro. A média dos últimos 12 meses ficou em 3,2%. Segundo a Fipe, os reajustes são um pouco melhores nas convenções coletivas, quando as discussões ocorrem por meio de sindicatos.