Pressionado por depoimentos, Bolsonaro chama CPI de "tribunal de exceção"

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Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during the announcement of sponsorship of olympic sports team by the state bank Caixa Economica Federal at Planalto Palace on June 1, 2021. - Brazil's President Jair Bolsonaro said on Tuesday that, if it depends on his government, his country will host the 2021 Copa America, in a bid to reduce uncertainty over the hosting of the world's oldest national team tournament. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro tem feitos críticas constantes à CPI da Covid no Senado (Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Presidente Jair Bolsonaro criticou CPI da Covid após inquérito à Nise Yamaguchi

  • Bolsonaro chamou a comissão de "tribunal de exceção"

  • O presidente já fez críticas ao presidente da CPI, ao vice-presidente e também ao relator da comissão

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar a CPI da Covid no Senado. Na manhã desta quarta-feira (2), o presidente prestou solidariedade à Nise Yamaguchi e afirmou que a médica passou por um “verdadeiro tribunal de exceção” na comissão.

“É inadmissível que profissionais de saúde sejam tratados de forma tão covarde!”, afirmou Bolsonaro. O presidente usou também o argumento da “autonomia médica”, já que Nise Yamaguchi é uma defensora do uso da cloroquina no tratamento da covid-19. O medicamento é comprovadamente ineficaz contra a doença.

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“É preciso respeitar a autoridade e a autonomia médica. Médicos devem ter liberdade para salvar vidas e isso vem sendo ameaçado por um grupo político que atua visando somente atacar o Governo enquanto nega investigar desvios de recursos para o combate à pandemia”, escreveu nas redes sociais.

Questionamentos de Otto Alencar

Senador Otto Alencar na CPI da Covid. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Senador Otto Alencar na CPI da Covid. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O momento mais tenso da CPI para Nise Yamaguchi foi quando o senador Otto Alencar fez uma “sabatina médica”. O senador, que é médico, criticou a recomendação do “tratamento precoce”, sem eficácia contra a covid-19, capitaneado pela oncologista e imunologista Nise Yamaguchi.

O parlamentar ressaltou que, caso os medicamentos do kit covid sejam prescritos por um médico, o profissional assume o risco, mas ser recomendado pelo Ministério da Saúde “é brincar com a vida dos brasileiros”.

Yamaguchi é defensora do chamado “tratamento precoce” com medicamentos como a cloroquina, droga comprovadamente ineficaz contra a doença. Ela é apontada como uma das principais conselheiras de Bolsonaro, já tendo sido cotada para a assumir a Saúde por duas vezes.

“A senhora maculou sua imagem ao tomar essa iniciativa, queria ser ministra da Saúde e não conseguiu”, afirmou Otto Alencar.

Em sua fala, o senador citou um estudo feito pelo Hospital Albert Einstein que está comprovado que a cloroquina não tem efeito em pacientes com casos leves e moderados de covid-19.

O parlamentar questionou os trabalhos comprovando eficiência de cloroquina e hidroxicloroquina, com registros de exames clínicos e pré-clínicos. Ele perguntou também se a médica sabia a diferença entre um protozoário e um vírus, para recomendar um medicamento contra protozoário, no caso a cloroquina, para uma doença causada por vírus.

Outras críticas à CPI

Essa não é a primeira vez que o presidente Jair Bolsonaro critica a CPI e seus membros. Bolsonaro criticou Randolfe Rodrigues, após o senador pedir a convocação do presidente para depor à CPI.

"Tem uma saltitante na comissão que queria me convocar. Ô, saltitante, tá de brincadeira? Tem o que fazer não, saltitante? Que é conhecido como DPVAT. A gente reduz por 10 vezes o DPVAT para o povão e o cara entra na Justiça e apresenta uma ação para voltar ao valor anterior. Com que interesse?", acusou Bolsonaro.

Além dos ataques à Randolfe Rodrigues na última quinta, Bolsonaro também já fez ameaçar à Omar Aziz, quando mencionou a Zona Franca de Manaus.

“Imagine Manaus sem a Zona Franca. Hein, senador Aziz? Você que fala tanto na CPI, senador Eduardo Braga. Imagine aí o Estado, ou Manaus, sem a Zona Franca?”, disse Bolsonaro na ocasião.

Em 13 de maio, durante viagem a Alagoas para entrega de unidades habitacionais, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou para atacar a CPI da Covid e seu relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O presidente chamou o senador de “picareta” e “vagabundo”.

"Sempre tem algum picareta, vagabundo, querendo atrapalhar o trabalho daqueles que produzem. Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no nosso país. É um crime o que vem acontecendo nessa CPI”, declarou Bolsonaro.

O presidente continuou: "o recado que eu tenho para esse indivíduo é: se quer fazer show tentando me derrubar, não fará; só Deus me tira daquela cadeira".

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