Pressionado por impeachment, Lira recua e agora diz que 100% dos pedidos são 'inúteis'

Bruno Góes
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BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), mudou de posição nesta terça-feira ao afirmar que 100% dos pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro são "inúteis". Em entrevista na segunda-feira à rádio Jovem Pan, Lira havia dito que não via motivos para a apresentação de 95% dos pedidos que estão sobre a sua mesa.

A manifestação veio em plenário, quando presidia a sessão, após o deputado Henrique Fontana (PT-RS) apelar pelo prosseguimento de um pedido de impeachment.

— Não cabe a esta casa instabilizar, neste momento, por conveniência política de A ou de B. O tempo é o da Constituição, da conveniência política, da oportunidade. Os pedidos de impeachment, em 100%, e não 95% dos que eu já analisei, são inúteis para o que entraram e solicitaram — disse Lira.

Ele reclamou ainda que o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) não era pressionado para abrir um processo contra Bolsonaro.

— Queria só pedir um pouco de reflexão ao deputado Fontana, eu não via esses apelos nos dois anos do ex-presidente Rodrigo Maia com 60 pedidos de impeachment na sua gaveta nesta Casa. Eu estou há dois meses, deputado Fontana, e pediria a vossa excelência um pouco mais de tranquilidade, um pouco mais de paciência.

Em seu discurso, Fontana disse atacou o governo, segundo ele um pária internacional, e disse que muitos apelidam a família de Jair Bolsonaro "corretamente de familícia".

— Abrir o processo de impeachment do presidente Bolsonaro é uma questão democrática. Eu não posso concordar com presidente Arthur Lira de que 95% dos pedidos de impeachment não têm consistência nenhuma. Eu vejo muita consistência em diversos desses pedidos. Mas eu quero ter o direito democrático de analisar os pedidos numa comissão processante — pediu Fontana.