Prestes a retomar trabalho presencial, Câmara dos Deputados registrou 19 casos de Covid em fevereiro

Aguirre Talento e Bruno Góes
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BRASÍLIA - Em meio à discussão sobre a retomada dos trabalhos presenciais, o serviço médico da Câmara dos Deputados registrou 19 novos casos de Covid-19 no início deste mês de fevereiro. Os dados são do Serviço de Emergências Médicas da Câmara do período entre os dias 1º e 8 de fevereiro.

No último dia 1º, os trabalhos ocorreram de forma presencial devido à eleição da Presidência e da Mesa Diretora. Os casos registrados até hoje, portanto, podem estar relacionados a aglomerações ocorridas durante essa eleição.

A reportagem solicitou dados de meses anteriores, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Os dados não abrangem funcionários da Casa que tiveram diagnóstico de Covid-19 feitos em instituições médicas externas. Uma funcionária do departamento médico, ouvida sob condição de anonimato, afirmou que o Serviço de Emergências da Câmara passou a se dedicar, em sua maior parte, a casos de suspeita do novo coronavírus.

O recém-eleito presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), já determinou que a nova Mesa Diretora defina critérios para a retomada de sessões de forma presencial, adotando medidas como uma limitação na quantidade total de deputados que poderiam comparecer ao plenário e às comissões. O assunto está ainda sob estudo.

Parlamentares e servidores, entretanto, tem criticado a possibilidade de retorno em meio à pandemia. Funcionários reclamam que os ambientes da Câmara têm pouca ventilação e seriam propícios para a proliferação da Covid-19. O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e Tribunal de Contas da União (Sindilegis) enviou ofício a Arthur Lira na semana passada demonstrando preocupação com esse retorno e solicitando que ocorra apenas no segundo semestre deste ano.

"O Sindilegis, contando com a sensibilidade de Vossa Excelência e da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, propõe que o retorno às atividades presenciais, ainda que em regime de revezamento, seja gradual, em conformidade com as orientações e protocolos de biossegurança das autoridades sanitárias, e tenha início a partir do próximo semestre, quando estima-se que ao menos a vacinação dos grupos prioritários seja concluída", diz trecho do ofício.

No dia da eleição para a presidência da Casa, deputados anunciaram que a eleição seguiria protocolos para manter o distanciamento social durante a pandemia. Ainda assim, parlamentares ficaram aglomerados no plenário e durante reuniões. Assessores e apoiadores dos candidatos circularam livremente pelos corredores, gerando multidões ao longo do dia.

Uma das restrições era o uso obrigatório de máscaras, que não foi seguida à risca. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, por exemplo, andou sem máscara pela Câmara. Alguns deputados do PSL, inclusive, fazem questão de se posicionar contra a proteção. Bia Kicis (PSL-DF), por exemplo, já gravou vídeos para contestar o uso de máscaras. Daniel Silveira (PSL-RJ), também bolsonarista, chegou a obter um atestado médico para não usar a máscara.

No dia da votação, parlamentares idosos contestavam a disposição de Lira em retomar os trabalhos presenciais.