Prevent Senior obrigou médicos a atenderem sem máscara para não 'assustar pacientes', diz ex-funcionário

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Walter Correa trabalhou como médico na Prevent Senior e presta depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (6) (Foto: Reprodução/TV Senado)
Walter Correa trabalhou como médico na Prevent Senior e presta depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (6) (Foto: Reprodução/TV Senado)
  • Ex-médico da Prevent Senior revelou que foi obrigado a tirar a máscara de proteção no início da pandemia, pois assustaria os pacientes

  • Coordenadora que o obrigou a tirar a máscara foi a mesma que enviou mensagem sobre receitar cloroquina para quem espirrasse

  • Walter Correa afirmou que Prevent Senior premie médicos que "fazem a coisa errada"

O médico Walter Correa Souza Neto, ex-funcionário da Prevent Senior, revelou que foi obrigado a tirar a máscara de proteção durante um atendimento no hospital. Ele afirma que os médicos não tinham autonomia, mas o problema se intensificou durante a pandemia. 

"No começo da pandemia, a Prevent veio aqui (na CPI) e falou de investimento em EPI (equipamento de proteção individual). É um caso exemplar para mostrar a falta de autonomia. Bem no começo da pandemia, é verdade que as operadoras de saúde estavam subestimando (...), mas acho que ninguém chegou a fazer o que a Prevent fez de proibir a gente de usar máscara lá dentro", contou. 

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"O que aconteceu no início, um caso que eu tive, foi exemplar. Já tinha estourado um surto de covid em uma unidade, já tinha alguns colegas já em intubação, fiquei com medo da doença. Pus uma máscara N95 e fui trabalhar no consultório. A coordenadora entrou no consultório e disse: 'Olha, você precisa tirar a máscara'", disse. Ela teria justificado que a máscara "assustaria os pacientes". 

"Eu tive que tirar a máscara e continuar trabalhando sem máscara", afirmou. Walter Correa ainda afirmou que quem fez o pedido para que ele retirasse a máscara havia sido uma médica chamada Paola - a mesma que enviou mensagens orientando profissionais da saúde a darem cloroquina para pessoas que espirrassem. O caso foi revelado pelo senador Randolfe Rodrigues durante a sessão da CPI na última quarta-feira (6). 

Segundo Walter, o colega médico que recebeu a mensagem foi demitido, enquanto Paola continua na instituição. "A Prevent às vezes tem a política de punir quem é bom médico e promover quem faz a coisa errada. Quem veste a camisa da empresa e faz a coisa errada."

"Às vezes eu tenho a impressão de que a Prevent não existiria se não fosse pelas falhas dessas entidades. Se essas entidades tivesse uma fiscalização eficaz, com certeza a Prevent não teria prosperado", disse Correa sobre os órgão regulatórios. 

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