Prevent Senior recomendeu remédios para artrite e câncer de próstata para tratar covid-19

·3 minuto de leitura
  • Operadora indicou medicamentos mesmo sem aprovação da Anvisa

  • Diretor da empresa aparece recomendando Flutamida em áudio

  • Diretor executivo fala hoje à CPI da Covid

A Prevent Senior orientou a prescrição de medicamentos para artrite reumatoide e câncer de próstata para pacientes com covid-19, segundo indicam áudios e planilhas obtidas pelo Jornal Nacional, da TV Globo. Os remédios não são recomendados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e tampouco existem estudos científicos que justifiquem essa decisão.

Agora, o Ministério Público de São Paulo e a CPI da Covid investigam o caso. Este é mais um escândalo que a empresa se envolve. Na semana passada, foi revelado que a operadora escondeu mortes em um estudo sobre tratamento precoce.

Nesta quarta-feira (22), o diretor executivo da operadora de saúde, Pedro Benedito Batista Júnior, presta depoimento à CPI da Covid, no Senado.

Entre os áudios divulgados pelo jornal, há uma gravação atribuída ao diretor da Prevent Senior, Rodrigo Esper, em que ele diz: "Bloqueio androgênio com Flutamida e Enbrel para os pacientes [de covid-19] que vão ser transferidos, tá?".

A Flutamida é indicada "para o tratamento do câncer avançado de próstata", segundo a bula do remédio. Já o Enbrel — nome comercial do Etarnecepte — é indicado "para tratamento de doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, não sendo indicado para o tratamento da covid-19", segundo a Pfizer, que produz o medicamento no Brasil.

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Uma médica que trabalhava na operadora de planos de saúde denunciou ao Jornal Nacional que foi demitida por não concordar em prescrever os medicamentos aos pacientes com covid-19.

"Esses pacientes não sabiam que isso estava sendo um estudo feito. Não sabiam que era um estudo, que eles estavam sendo cobaias", disse ela, que preferiu não se identificar.

Luiz Cézar Oliveira Pereira conta que sua mãe, Sueli, era paciente da Prevent Senior e morreu no dia 3 de agosto vítima de covid-19, após receber tratamento com Flutamida.

"Vi [na internet] que ele [Flutamida] estava sendo usado para câncer de próstata. Naquele momento, se eles me falassem o nome de qualquer outra medicação... Eu estava torcendo para que minha mãe saísse daquela situação. Eu assinaria, eu assinei, acreditando na melhora dela", contou ao Jornal Nacional.

Em sua defesa, a empresa disse à reportagem que respeita a autonomia dos médicos na prescrição de tratamentos e remédios e que cada profissional é livre para avaliar a melhor terapêutica em cada caso.

A Prevent Senior disse que não teve acesso ao áudio citado na reportagem e que encaminhou as denúncias, que chamou de “infundadas”, à Procuradoria-Geral da República.

Ocultação de mortes

O plano de saúde Prevent Senior realizou um estudo para testar o uso de hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a covid-19. Em um dossiê, recebido pela CPI da Covid e divulgado pela GloboNews, há indícios que a empresa escondeu mortes de pacientes que receberam o tratamento.

Segundo a GloboNews, a Prevent Senior divulgou que duas pessoas morreram durante o uso da medicação. Na planilha, constam nove mortes.

Depois da denúncia, a Prevent Senior desafiou médicos a comprovarem as fraudes. A publicação foi feita nas redes sociais da empresa.

Já o Sindicato dos Médicos do Estado de SP (Simesp) afirma que recebeu denúncias informando que a operadora de plano de saúde Prevent Senior está coagindo médicos a assinarem documento no qual atestam que receitaram o "kit Covid" (medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus) a pacientes por espontânea vontade.

Nesta quarta-feira (22), o diretor executivo da operadora de saúde, Pedro Benedito Batista Júnior, presta depoimento à CPI da Covid, no Senado.

Inicialmente, sua oitiva estava marcada para semana passada, mas ele não compareceu à comissão alegando que havia sido intimado em cima da hora e não teve tempo hábil para se preparar. Na ocasião, o relator do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu a condução coercitiva para que o depoente possa depor.

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