Prevent Senior: Governo de SP apura suposta mudança em atestados de óbitos

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SAO PAULO, BRAZIL - DECEMBER 23: Sao Paulo state Health Secretary, Dr. Jean Gorinchteyn looks on during a press conference about the conclusion of the CoronaVac vaccine clinical study at Butantan Institute on December 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. According to the Butantan Institute and the Government of Sao Paulo, the CoronaVac vaccine developed in partnership with the Chinese laboratory Sinovac reached an efficacy rate higher than the minimum recommended by WHO (World Health Organization). The official release of the vaccine's efficacy numbers will be published after the Chinese laboratory unifies data from studies in other countries to avoid different indices. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
SAO PAULO, BRAZIL - DECEMBER 23: Sao Paulo state Health Secretary, Dr. Jean Gorinchteyn looks on during a press conference about the conclusion of the CoronaVac vaccine clinical study at Butantan Institute on December 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. According to the Butantan Institute and the Government of Sao Paulo, the CoronaVac vaccine developed in partnership with the Chinese laboratory Sinovac reached an efficacy rate higher than the minimum recommended by WHO (World Health Organization). The official release of the vaccine's efficacy numbers will be published after the Chinese laboratory unifies data from studies in other countries to avoid different indices. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
  • O governo de SP vai apurar a suposta alteração de atestados de óbitos de pacientes da Prevent Senior

  • Operadora de saúde é investigada também na Polícia Civil e na CPI da Covid

  • Empresa também teria omitido mortes em estudo com hidroxicloroquina

O governo de São Paulo criou uma força-tarefa para apurar a suposta alteração de atestados de óbitos de pacientes da Prevent Senior que teriam morrido em decorrência da covid-19, mas tiveram suas mortes registradas de outra forma, segundo informou o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

"Se identificarmos qualquer ilícito, ele será não apenas lançado para o Ministério Público mas também para a Secretaria de Justiça e Cidadania do estado de São Paulo", explicou Gorinchteyn em entrevista à CNN Brasil.

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A investigação será feita pela Secretaria de Estado da Saúde junto ao Serviço de Vigilância Epidemiológica, o Serviço de Vigilância Sanitária e outros setores técnicos da Secretaria. "É uma obrigação da Secretaria da Saúde para que possamos obter de forma mais rápida as informações e trazer isso a público", complementou.

O secretário confirmou a informação que havia sido adiantada pelo governador João Doria em entrevista coletiva no Palácio do Bandeirantes. Na ocasião, Doria disse que pediu à secretaria de Saúde que fizesse uma "fiscalização rigorosa" nos procedimentos da Prevent Senior.

"A orientação dada ao secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, é para que inicie imediatamente verificações sobre os procedimentos adotados pela Prevent Senior, que inclusive foram apresentados na CPI do Congresso Nacional e que demonstram procedimentos irregulares", falou o governador.

O caso também está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que também criou uma força-tarefa para apurar os fatos que vieram à tona na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid. A Prevent Senior ainda está sendo investigada pela Polícia Civil e pela própria CPI.

Depoimentos mostram que a Prevent se alinhou ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desde o começo da pandemia promoveu medidas e medicamentos sem comprovação científica. O presidente, inclusive, voltou a defender a cloroquina em seu discurso na 76ª Assembleia Geral da ONU.

Há também investigações sobre a Prevent correndo em órgãos de defesa do consumidor e na Agência Nacional de Saúde Suplementar. A operadora também enfrenta acusações por conduzir um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina sem notificar pacientes e seus familiares. O estudo teria, ainda, omitido mortes de pacientes, para tentar influenciar resultados que mostrassem que o medicamento seria eficaz.

A operadora também é acusada de receitar medicamentos para câncer de próstata e artrite reumatoide para pessoas com covid-19, sem respeitar bula dos remédios ou ter aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A empresa, no entanto, ainda argumenta, mesmo com relatos de médicos e pacientes e diversos documentos comprobatórios, que não orientava diretamente o uso do “kit covid”, e que os médicos são livres para escolher o melhor tratamento. A Prevent também nega ter fraudado o estudo clínico.

Outra suspeita é que pacientes que morreram de covid-19 tiveram seus atestados de óbito fraudados, entre eles a mãe do empresário Luciano Hang, grande apoiador de Bolsonaro.

Na última quinta-feira, o diretor-executivo da empresa, Pedro Batista Júnior, deu depoimento à CPI da Covid no qual afirmou que o dossiê contra a operadora enviado à comissão, que reúne as denúncias investigadas, contém informações "manipuladas" por médicos demitidos da rede.

Ainda assim, admitiu que a Prevent recomendou que médicos mudassem o CID de pacientes com covid após 14 ou 21 dias do diagnóstico oficial.

O diretor perdeu seu posto de testemunha e agora é investigado pela CPI.

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