Prévia Tática da Libertadores - Santos x Independiente

Por Rodrigo Coutinho (@RodrigoCout)

Único duelo das oitavas de final ainda não iniciado, Independendiente e Santos começam a se confrontar nesta terça-feira pela Libertadores da América. A exemplo do que fez nos outros sete jogos da fase, o Yahoo Esportes traz pra você uma espécie de avant-premiere das duas equipes. Saiba abaixo como Santos e Independiente vêm jogando, os pontos fortes, as debilidades, e o cenário que os jogos podem ter. 

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Logicamente o Peixe chega como ”azarão” na disputa contra o Rey de Copas. O Rojo, por mais que tenha ficado na segunda posição em sua chave, possui um trabalho de longo prazo sob o comando do ótimo Ariel Holan. São dois anos do comandante a beira do gramado e um modelo de jogo bem estabelecido e conhecido. Do outro lado, temos apenas três semanas de Cuca ocupando o mesmo cargo no clube paulista.

(Foto: Reprodução)

Independiente

Mesmo tendo se classificado em segundo no Grupo 7, que tinha Corinthians, Millonarios e Deportivo Lara, e ter decepcionado em alguns jogos, é impossível não dar ao Independiente o selo de favorito neste confronto contra o Santos. O time de Avellaneda foi o sexto colocado no último Campeonato Argentino, fez uma campanha razoável, mas manteve o bom nível demonstrado desde que Ariel Holan assumiu o comando em meados de 2016. De lá pra cá, o Rey de Copas ganhou uma Sulamericana e uma Suruga. Talvez não tenha feito mais em virtude de não ter um elenco com tantas opções, como por exemplo Boca Juniors e River Plate.

(Foto: Reprodução)

Tentando minimizar isso, a diretoria encorpou mais o plantel com algumas boas aquisições. As principais foram as chegadas de dois integrantes da seleção chilena. O volante/zagueiro Francisco Silva, e o apoiador Pablo Hernández, que nasceu na Argentina, mas tem cidadania chilena. Ambos vêm sendo titulares e demonstram adaptação ao estilo da equipe. Outros três atletas chegaram e podem ser boas opções. O meia uruguaio Benavidez, destaque no Mundial Sub-20 em 2017; o experiente zagueiro Burdisso, ex-Roma; e o bom atacante Cerruti, ex-San Lorenzo. A única perda sentida foi a do volante Diego Rodriguez, que era titular e foi para o Tijuana do México. Tirando ele, Menéndez, que era reserva, foi para o futebol árabe.

O esquema tático do Independiente varia bastante, geralmente entre o 5-4-1 e o 4-3-3. Há também o uso do 4-2-3-1 em situações bem específicas. É curioso observar, porém, que seja qual for o esquema de partida, a ocupação de espaços no campo ofensivo não muda, nem a movimentação e o conceito de ter a bola e trocar passes curtos até entrar na defesa adversária. O que mais representa o time de Ariel Holan é justamente o que faz para atacar. Busca a triangulação pelos lados do campo e ocupa os espaços de forma bem metódica e assimétrica entre jogadores que em tese teriam a mesma função. O problema vem muitas vezes no terço final do campo. Toma decisões erradas, se precipita. O Rey de Copas seguidamente domina, mas não marca tantos gols.

Dificilmente veremos o Rojo fazer ligações diretas, mas se precisar tem em Gigliotti e Silvio Romero duas figuras que acabam proporcionando o cenário, mesmo que não seja algo previamente planejado. Em transições ofensivas, perdeu muita velocidade com a saída de Barco no final do ano passado e busca ficar com a bola prioritariamente. Até tira a bola da zona de pressão, seja invertendo o jogo ou verticalizando o passe para a referência ofensiva, mas não costuma imprimir velocidade e tenta sempre entrar em fase ofensiva.

Sem a bola, utiliza o sistema de marcação por encaixes e algumas perseguições longas, sobretudo na sua linha defensiva. Até por isso, quase sempre se defende com linha de cinco. Faz o volante ser mais um integrante de sua última linha, o que visa justamente compensar os espaços que surgem por essas perseguições. Então mesmo quando ataca no 4-3-3, o Independiente costuma se defender no 5-4-1 com o recuo do volante para a linha de zaga e também dos pontas para a linha de meio. Funciona! É o segundo time que menos sofre finalizações por jogo entre os 16 classificados para as oitavas.

Já nas transições defensivas, a agressividade é muito alta. Isso falta em alguns momentos quando a equipe entra em fase defensiva, mas em transições nunca. Como joga de forma agrupada com a posse de bola, automaticamente está mais compacta para fazer o ”perde-pressiona” e têm sucesso em diversas ocasiões. Inibe o contra-ataque rival com sucesso. O problema é quando o adversário vence essa primeira pressão. Não é raro vermos zagueiros e laterais longe da linha defensiva, e isso gera problemas quando o passe em profundidade sai.

Ariel Holan não terá a sua dupla de zaga titular, Franco e Vigal. Gaston Silva e Burdisso devem jogar. Benítez e Romero são dúvidas, o que deve abrir espaço para Gaibor no meio-campo e adiantar Meza

Santos

Poucas equipes no futebol brasileiro passaram por tantas turbulências quanto o Santos em 2018. A primeira fase da Libertadores foi jogada ainda sob o comando de Jair Ventura, demitido há pouco mais de um mês. O rendimento, assim como nas outras competições do ano, esteve bem aquém do que se poderia imaginar. Não que o Santos tenha um esquadrão, mas esperava-se uma equipe mais bem ajustada, algo que não aconteceu.

O que piorou a situação foi a forma que o time santista vinha jogando. Há aí um claro contrasenso entre o que Jair Ventura apresentou antes da chegada ao Peixe e o DNA histórico do clube. Quase sempre tendo sucesso com equipes ofensivas, o alvinegro não encontrou este estilo no trabalho do jovem treinador. Durante meses tentou-se a escalação de três, ás vezes quatro atacantes, mas as ideias ofensivas eram pobres, e logicamente acabavam não funcionando.

(Foto: Reprodução)

Mesmo assim, o Santos conseguiu se classificar em primeiro lugar num grupo que a princípio parecia complicado com os tradicionais Estudiantes e Nacional do Uruguai, mas que na verdade revelou-se de baixo nível técnico. O próprio Santos contribuiu para isso e chegou a perder na estreia para o limitado Real Garcilaso. A melhor condição técnica, porém, foi determinante e o Peixe obteve a vaga para as oitavas de final.

Há pouco menos de um mês dirigindo o time, o técnico Cuca vai tentando implementar as suas ideias. São seis jogos até aqui, mas muitos padrões diferentes para se ter certeza de algo já consolidado, o tempo é muito curto. O esquema tático utilizado deve ser a variação entre o 4-1-4-1(momento defensivo) e o 4-3-3(momento ofensivo). Carlos Sanchez, um dos novos reforços contratados, deve ser a principal peça de criação a partir de suas movimentações no meio-campo.

 

Carlos Sanchez é o reforço que melhor vem encaixando no time santista (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Além do uruguaio, Derlis Gonzalez e Bryan Ruiz são outros gringos que chegaram para qualificar o elenco, mas ainda buscam afirmação e não devem iniciar como titular. Na linha de ataque, Rodrygo, Gabriel e Bruno Henrique devem ser os escolhidos. No pouco que se pôde observar do Santos de Cuca até aqui, percebe-se uma grande propensão em produzir jogadas pelos lados do campo, sobretudo o flanco direito. Sanchez vem se entrosando rápido com Victor Ferraz e Rodrygo pode compor o setor também, elevando ainda mais o nível técnico do Peixe.

Defensivamente, Cuca não vem utilizando perseguições tão longas nos encaixes que costumam reger o sistema de marcação das suas equipes. Como o tempo ainda é escasso, os atletas sentem dificuldades em absorver as ideias e não é raro vermos os jogadores se distanciando de seus setores. A intensidade aumentou e a transição defensiva vem sendo mais competitiva. A principal arma do Peixe pode ser o contra-ataque. Por mais que a transição defensiva do Independiente seja inicialmente agressiva, o Alvinegro tem jogadores com talento para vencê-la.

(Foto: Reprodução)

 

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