Previdência privada pode melhorar saúde financeira das pessoas, diz CEO da Onze

  • 8% da população brasileira possui planos de previdência privada

  • Esse mercado movimenta hoje R$ 1 trilhão

  • O CEO acredita que a previdência privada aumenta a responsabilidade financeira do funcionário

Quando decidiu empreender em uma solução digital de previdência privada, em 2019, Antônio Rocha não estava de olho apenas no tamanho do mercado, que segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro) movimenta hoje R$ 1 trilhão. O executivo carregava consigo de causar um impacto positivo na vida das pessoas e enxergou na previdência corporativa a oportunidade de materializar o seu objetivo maior.

“Eu poderia montar uma corretora ou uma gestora tradicional de fundos, mas optei por criar uma solução digital de previdência porque esse produto força as pessoas a pouparem de forma recorrente”, afirma o CEO da Onze. Outro diferencial que atraiu Rocha a este mercado foi o incentivo fiscal a longo prazo que a previdência oferece aos investidores.

Como modelo de negócio, a Onze se posicionou no Business to Business (B2B), porque Rocha acredita que, ao oferecer a previdência corporativa, as empresas abraçam a responsabilidade sob a saúde financeira de seus colaboradores à medida que assumem um papel mais ativo na educação financeira deles. “Esta responsabilidade é das empresas também. E, quando elas coparticipam nos aportes, a taxa de adesão ao benefício aumenta expressivamente”, avalia Rocha.

Embora a Onze (que recebe dos fundos de previdência um percentual da taxa de administração) ainda não comercialize diretamente ao consumidor final (B2C) os mais de cem produtos do seu portfólio, investidores que forem desligados das empresas clientes não precisam necessariamente fazer o resgate ou a portabilidade do plano, pois a fintech permite que o cliente permaneça realizando os aportes e continue a gerenciar o seu patrimônio mesmo que esteja trabalhando em uma empresa que não ofereça o benefício junto à Onze. De acordo com Rocha, a ideia é passar a comercializar o produto diretamente aos investidores em 2023.

Digitalização e Discussão Ativa

Segundo recente pesquisa Datafolha encomendada pela Fenaprevi, apenas 8% da população brasileira possui planos de previdência privada. Se o recorte for de planos corporativos, esse percentual é ainda menor. Rocha avalia que o problema de acesso à previdência de qualidade para empresas de até 500 colaboradores se deve ao fato de os cinco maiores bancos que dominam o mercado não terem interesse em oferecer esses produtos para pequenas e médias empresas.

“Empresas que têm previdências de ‘bancão’ estão com os mesmo três ou quatro fundos há 15 anos (com os fundos rendendo mal já há sete anos), e ninguém de propôs a trocar (...) Se o fundo está indo mal, nós somos os primeiros a avisar e a propor trocas”, afirma Rocha.

Apesar de ter mais de cem fundos de previdência em seu portfólio, a Onze disponibiliza uma média de dez produtos para cada empresa oferecer para o seu time. De acordo com Rocha, o filtro usa parâmetros estabelecidos pelas empresas para cobrir os diferentes perfis de risco dos colaboradores (conservador, moderado e agressivo). “A vantagem de ter um portfólio robusto é que podemos, a cada semestre, sentar com o cliente, revisar as opções e fazer trocas. Então ter uma grade ampla nos proporciona fazer esse trabalho ativo”.

O CEO da Onze explica ainda que a jornada digital oferecida pela sua fintech possibilita, por exemplo, a sugestão de planos mais adequados a cada colaborador. Através de um questionário disponível na plataforma, este funcionário é direcionado ao produto que tenha maior coerência tanto com o perfil do investidor, quanto com o prazo e o modelo de declaração de imposto de renda dele que ele está habituado a usar. “ Com mais assertividade nas opções de escolha, se tona mais fácil decidir e não postergar a decisão de investir” diz o executivo.

Outro diferencial que a digitalização promove na experiência dos colaboradores são as mensagens enviados pelo aplicativo. “A exemplo de uma atividade física, os reforços positivos fazem os colaboradores perceberem o crescimento do patrimônio deles e tenham maior interação com o benefício”, explica Rocha.