PRF identifica 3 casos de agentes ajudando manifestantes bolsonaristas em bloqueios

PRF garante que não haverá omissão; o órgão apurou que ao menos três casos de policiais ajudando manifestantes golpistas em bloqueios. (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
PRF garante que não haverá omissão; o órgão apurou que ao menos três casos de policiais ajudando manifestantes golpistas em bloqueios. (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
  • PRF identifica três casos de policiais ajudando manifestantes bolsonaristas em bloqueios;

  • Protestos bloqueiam estradas de todo o Brasil após a vitória de Lula nas urnas;

  • As ocorrências foram registradas em São Paulo e Santa Catarina.

Diretores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) disseram ter identificado três casos em que agentes da corporação supostamente estavam ajudando manifestantes bolsonaristas que bloqueiam rodovias desde segunda-feira (31).

As ações foram observadas em vídeos e se concentram em: São Paulo, com policiais cortando uma cerca para bolsonaristas passarem, e em Santa Catarina, com duas ocorrências não detalhadas. Segundo o corregedor-geral da PRF, Wendel Benevides Matos, os casos serão apurados.

"Nenhuma ordem foi dada para que servidores deixassem de cumprir seu papel, e eles responderão a procedimentos para explicar o que aconteceu", disse Matos em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (1°), na sede da PRF em Brasília.

O corregedor informou que “não vai haver nenhum tipo de omissão da PRF” e que os policiais envolvidos poderão responder a medidas administrativas. Apesar de já terem sido identificados, esses agentes seguem atuando.

"Foram identificados, mas não foram afastados. As chefias foram orientadas a identificar o que aconteceu e estão sendo orientados como proceder. Não há como afastar, precisamos do efetivo da força nesse momento", explicou Matos.

Policial pede “bom senso” e “serenidade”

O agente da PRF Ricardo Torres foi filmado conversando com manifestantes e informando que, antes de cumprir ordens judiciais, pedirá a orientação deles sobre o que fazer.

“A nossa posição é simples: enquanto servidor público, eu tenho uma missão a cumprir. Até esse momento, não chegou nenhuma ordem, quer da chefia, quer do judiciário, para desobstruir. O que a gente pede a todos é bom senso. Serenidade. Porque a manifestação é legítima. Talvez eu não concorde com o local, mas é legítima. Ela expressa a opinião de metade da população brasileira”, diz o policial, em vídeo divulgado pelo Estadão.

O caso ocorreu em Blumenau, Santa Catarina. Posteriormente, o policial complementa: “A PRF, em nenhum momento, não vai chegar em nenhum momento a vocês para atritar. Qualquer manifestação que vier da minha chefia, ou determinação judicial, eu vou chegar com vocês para conversar e dizer ‘chegou essa ordem, o que vocês me orientam?’ Pra gente chegar na melhor solução, sem ninguém machucado, ninguém preso”, fala, enquanto está sendo filmado.

Segundo dia de manifestação

Após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, manifestantes ocuparam trechos de rodovias em diversos estados. Os protestos entraram hoje (1º) no segundo dia.

Na noite de ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a PRF e as polícias militares dos estados tomem ações para desobstruir as vias. Na madrugada, a Corte confirmou a decisão.

Segundo Moraes, a Polícia Rodoviária Federal “não vem realizando sua tarefa constitucional e legal” e o descumprimento da ordem pode resultar no afastamento ou na prisão em flagrante do diretor da PRF, Silvinei Vasques.

Além disso, determinou multa pessoal ao chefe da corporação de R$ 100 mil a cada hora que as pistas permanecessem bloqueadas a partir da meia-noite de hoje. Também mandou que a corporação identificasse os proprietários de caminhões para que também sejam multados no mesmo valor.

Segundo a PRF, há atualmente 267 pontos de interdição ativos nas estradas federais por todo o Brasil. De acordo com a corporação, o pior momento da manifestação golpista foi na noite de ontem, quando chegaram a ser registrados 421 pontos de bloqueio.