PRF rebate críticas de omissão, diz que desbloqueará vias 'o quanto antes' e punirá policiais 'lenientes'

Cobrada a desinterditar rodovias do país bloqueadas por bolsonaristas, a cúpula da Polícia Rodoviária Federal rebateu a crítica de que a corporação tem sido passiva e se omitido diante de manifestantes. Em coletiva de imprensa sem a presença do seu diretor-geral, Silvinei Vasques, que cancelou a presença na última hora, diretores do órgão afirmaram ter convocado todo o efetivo de policiais para acabar, “o quanto antes”, com todas as interdições.

Diretor-executivo da PRF, Marco Antônio Territo afirmou que a corporação “está 100 % empenhada e comprometida em liberar as rodovias federais o mais rápido possível”.

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— A PRF mobilizou seu efetivo desde as primeiras horas de manifestações. Ontem, suspendemos as folgas e atividades administrativas para deslocar o efetivo para os pontos de tensão — destacou.

O diretor de operações, Djairlon Henrique Moura, informou que, até o início da tarde de hoje, haviam sido desbloqueados 306 pontos de interdição. Moura também respondeu às críticas de que a corporação não estaria atuando com a celeridade necessária.

— Se buscou a resolução dos problemas nos primeiros instantes. Em momento algum a PRF foi passiva. Em momento algum a PRF se omitiu. A determinação do ministro (da Justiça, Anderson Torres) e do nosso diretor-geral foi para atuar desde o primeiro instante. Não vai haver nenhuma omissão da PRF, assim como não está tendo — afirmou Djairlon, acrescentando que a situação é mais crítica nos estados de Santa Catarina, Pará e Mato Grosso.

Em decisão na noite de ontem, confirmada pela maioria do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes determinou o desbloqueio imediata das rodovias. No despacho Moraes aponta que a Polícia Rodoviária Federal “não vem realizando sua tarefa constitucional e legal” e diz que o descumprimento da ordem pode resultar no afastamento ou na prisão em flagrante do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques. O ministro incluiu na decisão links para vídeos em que agentes da PRF dizem a manifestantes não ter a intenção de incomodá-los. Em um deles, o policial afirma que a única ordem que recebeu era o de ficar no local com os apoiadores do presidentes, sendo ovacionado em seguida.

A diretoria da PRF destacou, porém, que está abrindo procedimentos na corregedoria para apurar casos isolados de omissão de policiais que estão em campo. Até o momento, pelo menos três servidores foram alvos de procedimentos administrativos.

— A PRF não apoia ilegalidade ou nem fechamento de rodovias. A corregedoria instaurou procedimento para identificar e punir servidores que tiveram atitudes que não condizem com a cooperação. Estamos verificando as redes para identificar desvios de conduta — destacou o corregedor chefe da instituição, Wendel Benevides.

No ápice das manifestações, a PRF diz ter monitorado 420 pontos de interdição. A área de inteligência da corporação acrescentou que está “buscando identificar as lideranças que estão por trás dos movimentos”. Um ofício circular também foi encaminhado, pelo diretor-geral, para todas as superintendências estaduais determinando a solicitação de apoio das polícias militares, da força nacional e prefeituras, quando for o caso, nos desbloqueios.

Segundo o diretor de operações, até o momento foram feitas 182 autuações de trânsito de pessoas que estão obstruindo ou liderando bloqueios. O valor das multas vai de R$ 5 mil a R$ 17 mil.

A previsão inicial era de que o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, participaria da coletiva de imprensa para explicar a atuação da PRF nos bloqueios. Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, no entanto, Silvinei desistiu de participar da coletiva porque estava reunido com o chefe da pasta, Anderson Torres.