Primeira congressista lésbica eleita no Peru luta para ter o próprio casamento reconhecido no país

O Globo, com agências
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A primeira legisladora lésbica eleita para o Congresso do Peru prometeu travar uma "forte batalha" pelos direitos LGBT+ no país andino, enquanto dois conservadores sociais se enfrentam em um segundo turno presidencial em junho.

Susel Paredes, que se tornará a única legisladora abertamente LGBT+ do país, foi eleita no domingo (11) depois de duas disputas parlamentares malsucedidas, obtendo o maior número de votos entre todas as candidatas.

Mas ela está cautelosa sobre as chances de ganhos LGBT+ mais amplos no país após o resultado da eleição presidencial de domingo, que colocou o candidato socialista Pedro Castillo contra a direitista Keiko Fujimori no segundo turno.

"Estamos no meio de um fogo cruzado entre fundamentalistas de direita e de esquerda", disse Paredes, 57, advogada especializada em direitos das mulheres e pessoas LGBT+ e pertencente ao centrista Partido Morado. "Mas vamos travar uma batalha muito forte. O litígio estratégico será crucial", continou.

Casais do mesmo sexo não podem se casar no Peru, em contraste com outras nações da América do Sul, incluindo Argentina, Uruguai, Brasil e Colômbia, que legalizaram o casamento homoafetivo nos últimos anos.

Pessoas trans não podem mudar seu gênero legal e não há restrições às chamadas terapias de conversão, que visam alterar a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa.

Além de enfrentar essas questões, Paredes disse que o país deveria ter um sistema de cotas para garantir empregos para pessoas trans e pediu penas mais duras para crimes de ódio relacionados à orientação sexual e identidade de gênero.

O vencedor surpresa do primeiro turno, Castillo, professor de escola primária e líder sindical, expressou oposição à legalização do casamento gay, enquanto Fujimori disse ser contra as uniões de pessoas do mesmo sexo e adoção.Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori preso, que foi condenado por crimes contra os direitos humanos e corrupção em 2009.

“Se qualquer um deles for eleito, será um problema para nós LGBTs. É preciso avançar com a judicialização para garantir direitos na Suprema Corte do Peru”, disse Paredes, que luta na Justiça pelo reconhecimento no país de seu casamento, celebrado no exterior. Ela se casou com sua parceira há quatro anos nos Estados Unidos.

"Já vencemos o primeiro julgamento e agora vamos lutar no segundo. É por isso que acredito em litígios além dos muros do Congresso", disse ela à Thomson Reuters Foundation.

“Sempre digo que espero que meu casamento dure mais do que meu processo contra o Estado peruano”, disse ela. "Minha vida é a luta por nossos direitos."