Primeira-ministra da Escócia reativa campanha pela independência

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.A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, lançou nesta terça-feira uma nova campanha pela independência escocesa ao apresentar o primeiro de uma série de documentos para mostrar como o país estaria melhor separado do Reino Unido. O objetivo é convocar um novo referendo, mas ainda não há um cronograma para que o voto aconteça.

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Em uma entrevista coletiva em Edimburgo, Sturgeon afirmou que “chegou a hora de apresentar uma visão diferente e melhor” após tudo que aconteceu nos últimos anos — “o Brexit, a Covid, Boris Johnson”. Permanecer como parte do território britânico e fora da União Europeia (UE), disse ela, é prejudicial para o futuro escocês, apontando para uma oportunidade de “olhar com esperança e otimismo e nos inspirarmos em outros países pela Europa”.

— É hora de falarmos de independência — afirmou a premier, ressaltando que seu governo explora caminhos legais para o referendo e irá apresentá-los ao Parlamento “em breve”. — O Brexit nos tirou da UE e do mercado único contra a nossa vontade, com danos enormes para o comércio, as condições de vida e os serviços públicos.

O anúncio vem após meses de críticas de nacionalistas escoceses, que defendiam a realização mais rápida de um novo voto. A pressão se acentuou desde maio do ano passado, quando o Partido Nacional Escocês (SNP) foi o grande vencedor das eleições parlamentares.

Segundo Sturgeon, a sigla foi reeleita na votação de 2021 com o “compromisso de dar ao povo da Escócia a escolha de se tornar um país independente” — resultado que deu ao SNP um “mandato democrático indiscutível”. A sigla governa em coalizão com os Verdes, que também são favoráveis à ruptura com o Reino Unido.

O SNP foi o principal articulador do referendo de 2014: na votação que mobilizou o país e, indiretamente, todo o Reino Unido, 55% dos escoceses votaram pela permanência no território britânico, e a questão foi dada como algo encerrado por ao menos uma geração. Dois anos depois, contudo, os britânicos foram às urnas aprovar o divórcio da UE, que só se concluiu no ano passado.

O Brexit é impopular na Escócia, onde cerca de 62% da população votou para permanecer na UE em 2016 — apoio ainda mais expressivo entre os integrantes do SNP —, e sua concretização fez renascer os discursos separatistas. Sturgeon, em particular, faz dura oposição a Boris, divergências que se acentuaram nas respostas de ambas gestões à Covid-19.

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Opinião pública

O documento apresentado nesta terça é intitulado “Independência no mundo moderno: mais ricos, mais felizes, mais justos: por que não a Escócia?” e argumenta que o país tem tamanho e características similares às de outras nações europeias com melhor desempenho socioeconômico. Aponta para métricas como pobreza infantil e igualdade de gênero, por exemplo.

A culpa, argumenta, é o fato do país estar sob as rédeas londrinas:

— A Escócia sob o comando de Westminster está ficando para trás — disse ela, referindo-se ao prédio que sedia o Parlamento britânico. — Com a independência, nós também teríamos as alavancas e autonomia que esses países tomam por garantidas para ajudar a cumprir seu potencial.

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O rompimento dos laços de 315 anos, contudo, não é necessariamente o desejo da maioria. Segundo a pesquisa mais recente, realizada pelo Instituto Ipsos, há um apoio entre os eleitores já decididos: metade é favorável à saída do território britânico e metade é contra. Quando todos os eleitores são levados em conta, 46% dizem ser pró-permanência e 45%, pró-independência — 8% afirmam ainda não terem tomado uma decisão.

Documentos futuros, segundo o governo, levarão em conta tópicos como a moeda de uma Escócia independente, a relação com a UE e o comércio. Sturgeon não traçou um cronograma claro para realizar o segundo referendo, mas previamente já havia afirmado que pretende fazê-lo em 2023.

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Obstáculos

A convocação legal, contudo, não depende apenas de sua vontade, havendo inicialmente dois caminhos que passam por Londres. O primeiro envolve a ativação da chamada “seção 30” pelo governo de Boris, que daria ao governo de Sturgeon o poder de convocar a votação segundo a Lei da Escócia.

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Boris, no entanto, se opõe ao voto, afirmando que o foco deve estar na recuperação pandêmica e econômica. Em grande parte devido ao impacto da separação da UE, o Reino Unido enfrenta o pior cenário econômico entre os integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico: a inflação atingiu seu maior patamar em 40 anos, o preço dos alimentos disparou e há escassez de mão de obra.

— A decisão foi tomada pelo povo escocês há apenas alguns anos — disse Boris a repórteres nesta terça-feira. — Acho que deveríamos respeitar isso e focar também no que creio ser o que todo o Reino Unido deseja: a posição econômica na qual estamos agora.

No segundo caminho para que o referendo seja convocado, a Escócia aprovaria uma lei, que pode ser legalmente desafiada pelo governo do Reino Unido. Em última instância, a decisão caberia à Suprema Corte britânica. Nesta terça, Sturgeon disse que seu governo trabalha para identificar um terceiro caminho, porém ainda não está claro qual seria.

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