Primeira-ministra da Suécia reconhece vitória da direita e renuncia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, no cargo havia menos de um ano, anunciou sua renúncia nesta quarta (14), abrindo caminho para a formação de um novo governo após reconhecer a vitória do bloco de oposição que, entre seus membros, possui representantes da ultradireita no país nórdico.

Os resultados finais do pleito ainda não foram divulgados —a expectativa é de que sejam tornados públicos até este final de semana—, mas Andersson, uma social-democrata, disse a jornalistas que a apuração inicial já confirma a vitória do bloco direitista.

Os últimos números oficiais divulgados no país após as eleições de domingo (11) mostram que a aliança formada pelos Moderados, os Democratas Suecos, os Democratas Cristãos e os Liberais obterá 176 assentos no Parlamento composto por 349 cadeiras. Já a centro-esquerda, tradicional no governo do país, levaria 173.

Em uma região com tradição democrata e à centro-esquerda, o resultado representou uma virada na balança de poder local. Os Democratas Suecos, partido com discurso antimigração, se consolidaram como o maior partido à direita, com 20,6% dos votos, e o segundo maior do país, atrás dos Social-Democratas (30,4%).

"Quando houver um novo governo, vou liderar a social-democracia na oposição", afirmou a primeira-ministra, durante entrevista coletiva, segundo relato da emissora pública SVT. "Nós, sociais-democratas, estamos dispostos a cooperar com quem quiser fazer parte da solução dos problemas que nosso país enfrenta."

A vantagem da direita no Parlamento tende a ser pequena —de duas a três cadeiras—, e as siglas ainda não confirmaram se pretendem governar juntas, mas Ulf Kristersson, líder dos Moderados cotado para premiê, disse que deu início à tarefa para formar um novo governo.

Entre outros desafios, o futuro premiê terá de comandar negociações sobre a entrada do país na Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA, pleiteada em meio à Guerra da Ucrânia e importante por romper com uma política histórica de neutralidade militar.

Analistas locais afirmam que a singularidade do pleito está no fato de, pela primeira vez, partidos tradicionais aceitarem trabalhar com os Democratas Suecos, até aqui marginalizados pelo sistema político. O peso adquirido pela sigla, que foi fundada em 1988 e admite ter raízes na ideologia nazista, forçou a abertura da ala política.

A questão principal colocada na mesa, uma vez que seja formado um governo, é se a ultradireita terá força para desmantelar pilares de um estado de bem-estar social forjado, ao longo de décadas, por acordos firmados entre esquerda e direita, independentemente de divergências.

Magdalena Andersson foi a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra na história da Suécia. O fez em novembro passado, quando passou a liderar um governo minoritário, após um colapso na coalizão governista levar à renúncia de seu antecessor, Stefan Löfven.

Em um início conturbado, Andersson foi eleita pelo Parlamento por duas vezes em um intervalo de uma semana. Na primeira ocasião, ela renunciou pouco após ser escolhida devido a disputas relacionadas ao Orçamento. Depois, foi eleita novamente pela casa.

Ela deve formalizar o pedido de renúncia na quinta (15).