Primeira mulher a narrar jogos da Copa na TV aberta, Renata Silveira é bailarina e dona de academia

Não foi uma jogada ensaiada. Mas Renata Silveira marcou um golaço quando decidiu participar, em 2014, do concurso “Garota da voz”, na Rádio Globo. A inexperiência em narração esportiva não intimidou a professora de Educação Física, com pós-graduação em Jornalismo Esportivo, em disputar com 80 mulheres inscritas a oportunidade de narrar jogos da Copa do Mundo, sediada no Brasil, nos estúdios da emissora. A jovem nascida e criada em Ramos, desde criança apaixonada por futebol e balé, não só concorreu, como venceu. A partir daí, a sua vida profissional deu uma guinada. O contrato para trabalhar nos canais de esporte da TV Globo não demorou a chegar. No próximo dia 22, a proprietária de uma academia de dança em Bonsucesso dá um passo importante na sua trajetória. E que passo. Ela será a primeira representante feminina a narrar um jogo de Copa do Mundo por um canal aberto de televisão.

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Prestes a completar 33 anos em 16 de novembro, Renata vive um sonho que nunca sonhou.

— Eu nunca pensei em trabalhar com futebol, muito menos em ser narradora. Mas sempre gostei de futebol. O meu pai levava eu e minha irmã para os estádios. A gente também o assistir jogar bola com os amigos no Social Ramos Clube . A minha paixão pelo futebol começou na infância, mas era apenas pelo prazer de assistir aos jogos, na TV ou nos estádios. Ocupar o posto que ocupo jamais passou pela minha cabeça. De forma descompromissada, participei do concurso da Rádio Globo e ganhei. Eu me inscrevi sem nunca ter narrado um jogo na vida. De alguma forma, tive coragem de enxergar ali uma possibilidade de ingressar numa nova carreira. No dia 22 de novembro, quando eu narrar a partida entre Dinamarca e Tunísia, na TV Globo, estarei escrevendo um capítulo importante para todas as mulheres que trabalham ou desejam trabalhar com futebol — diz.

Ser uma voz feminina na transmissão de jogos da Copa da Mundo na TV aberta é uma conquista que Renata faz mesmo questão de compartilhar com todas as mulheres.

— É muito importante pela representatividade. Quando eu me aventurei nesta área, não ouvia vozes femininas narrando futebol. Ainda é um desafio estar em um ambiente majoritariamente masculino. O caminho é árduo para as mulheres. Para dar conta, é preciso acreditar na sua capacidade e estar sempre muito bem preparada, estudar o dobro, porque sempre duvidam do potencial das mulheres no futebol — observa.

Cada conquista é celebrada pela naradora, que sabe muito bem o que quer alcançar daqui a quatro anos., ou seja, na próxima Copa.

— Eu sonho cobrir uma Copa do Mundo na sede, nos estádios. Não vou viajar para o Catar, vou narrar em estúdio, mas, quem sabe, vou para a Copa de 2018 (que será realizada no Canadá, Estados Unidos e México). Eu também tenho objetivos como empreendedora. Espero que a Academia La Vie Danse, que tenho em sociedade com a minha irmã, Flávia, possa acolher mais crianças através do nosso projeto social e que venha a ter filiais em outros bairros — torce.

Bailarina de formação, Renata não dá mais aulas, mas acompanha de perto o dia a dia da academia com sede em Bonsucesso.

— Sou bailarina com DRT e tudo. A academia nasceu em 2015 e a gente nunca teve dúvida de que o melhor lugar para instalá-la era no nosso lugar, na nossa vizinhança. Temos turmas de balé, jazz, hip hop, entre outras danças. As bolsas do nosso projeto social são de balé clássico para meninas e meninos, entre 9 e 12 anos, que as famílias não podem pagar a mensalidade. Em 2023, a ideia é abrir mais uma turma do projeto social — ressalta a narradora da TV Globo e bailarina.