Primeira mulher trans nas Forças Armadas brasileira é tema de documentário: 'Seu sonho era vestir a farda feminina'

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Foto: Cristiano Mariz/ divulgação
Foto: Cristiano Mariz/ divulgação

Ela é a primeira militar reconhecida como transexual na história das Forças Armadas brasileira. Só por isso, Maria Luiza da Silva já merecia um filme, mas sua trajetória vai muito além. É que conta o diretor Marcelo Díaz no documentário "Maria Luiza", que estreia nesta quinta-feira em São Paulo antes de ser exibido para outras plateias do país.

Sua história começa na cidade de Ceres, Goiás, onde nasceu como José Carlos. Embora nunca tenha se reconhecido na figura masculina, prestou o serviço militar, entrou para Força Aérea Brasileira, onde permaneceu por 22 anos, casou-se e teve uma filha. Ao revelar seu desejo pela mudança de gênero, passou por psicólogos e médicos quando recebeu o diagnóstico de transexual. Dois anos depois, em 2000, foi obrigada a se aposentar por invalidez.

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Mas Maria Luiza lutou e acionou o Ministério Público em busca de seus diretos. E, sete anos depois, conseguiu o que até então era inédito no país, e foi emitida sua nova identidade militar como Cabo Maria Luiza, fazendo história.

Foram dois anos de filmagem e muitos encontros até que o diretor conseguisse finalizar o documentário. Apesar das conquistas, Maria Luiza, que vive hoje, aos 59 anos, numa cidade satélite de Brasília, não conseguiu realizar um de seus desejos. "Um grande sonho de Maria Luiza era vestir a farda feminina e eu queria muito registrar isso de alguma forma. Mas a realidade às vezes é mais dura. Maria Luiza não pode voltar à ativa e usar a farda feminina", disse Marcelo Díaz ao "Gay.blog.br".