Primeira prévia da inflação no ano, IPCA-15 sobe 0,55% em janeiro

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado prévia da inflação, começou o ano de 2023 em alta. O indicador subiu 0,55% na passagem de dezembro para janeiro, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira.

As principais pressões vieram da alta dos grupos de Saúde e cuidados pessoais e Alimentação e bebidas. Os preços subiram 1,1% e 0,55%, respectivamente.

Com o resultado, o índice de prévia da inflação acumula alta de 5,87% em 12 meses. O resultado veio ligeiramente acima do esperado. Analistas projetavam alta de 0,52% do indicador no mês.

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Alimentos e itens de higiene pessoal mais caros

A pesquisa aponta o quanto a alta dos preços vem impactando o orçamento do consumidor. Os itens de higiene pessoal, por exemplo, têm pesado mais. Em janeiro, produtos ligados à saúde e cuidados pessoais subiram o dobro da inflação (1,1%). Ficaram mais caros os perfumes e os produtos para pele, com altas de quase 5% no mês. Os planos de saúde também pressionam: subiram 1,21%, refletindo a incorporação da fração mensal dos reajustes dos planos de saúde novos e antigos.

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Alguns alimentos também ficaram mais caros em janeiro, e acabam pesando mais no carrinho das famílias. A batata-inglesa subiu 16%, seguida do tomate (5,96%), do arroz (3,36%) e das frutas (1,74%). Por outro lado, o preço da cebola caiu 15,21% e do leite longa vida 2%.

Apesar da maior pressão observada em alimentos e itens de higiene pessoal, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IPCA-15 tiveram alta em janeiro.

Veja abaixo a variação dos grupos em janeiro:

Alimentação e bebidas: 0,55%

Habitação: 0,17%

Artigos de residência: 0,38%

Vestuário: 0,42%

Transportes: 0,17%

Saúde e cuidados pessoais: 1,10%

Despesas pessoais: 0,57%

Educação: 0,36%

Comunicação: 2,36%

O grupo Comunicação registrou alta de 2,36% em função dos aumentos praticados pelas empresas do setor telecomunicações. O combo de telefonia subiu 3% e foi o que mais impactou no mês. Mas também tiveram altas os preços de acesso à internet, aparelho telefônico e tv por assinatura - o último, com alta de quase 12%.

No grupo Transportes, os preços desaceleraram de 0,85% para 0,17% em relação à dezembro por conta da queda nos preços dos combustíveis. À exceção da alta no etanol, recuaram os preços do óleo diesel, da gasolina e do gás veicular. Por outro lado, o custo do emplacamento e licença subiu 1,61% - já incorporando a fração mensal referente ao IPVA de 2023.

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Já em Habitação, a alta foi de 0,17% em janeiro. Houve queda nos preços do gás de botijão e energia elétrica residencial diante da redução nas tarifas residenciais em uma das concessionárias pesquisadas. Por outro lado, em regiões como Salvador, onde o ICMS retornou ao patamar de 27% a partir de 1º de janeiro, o custo com energia subiu quase 4%. Também pesou na alta do grupo o reajuste do serviço de iluminação pública nas capitais São Paulo e Curitiba.

O que dizem os analistas?

As projeções dos analistas para o mês de janeiro chegaram a sofrer grandes revisões em razão do adiamento da vota dos impostos sobre combustíveis pelo governo, bem como pelos choques de itens considerados mais voláteis. Tudo isso, porém, não enseja preocupação de longo prazo.

Analistas econômicos estão atentos à condução da política fiscal. O mercado espera sinais claros da equipe econômica do governo sobre o desenho do novo arcabouço fiscal. Tais dúvidas impactam a curva de juros e a expectativa de inflação futura.

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O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, apontou que as expectativas para inflação passaram para 5,48%, ante 5,39% na semana anterior.