Primeira protagonista de "Malhação", Juliana Martins revela bastidores e lamenta o "fim de uma era"

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Juliana Martins foi a primeira protagonista de Malhação (Foto: Leo Aversa)
Juliana Martins foi a primeira protagonista de Malhação (Foto: Leo Aversa)

Juliana Martins, assim como o público, foi pega de surpresa com o fim de "Malhação" após 26 anos na Globo. A atriz, que interpretou a primeira protagonista do seriado em 1995, lamenta o encerramento do produto focado no público jovem e acredita que a decisão tem um peso para a teledramaturgia. Fim de uma era? Não é exagero usar essa expressão para um projeto que passou mais de duas décadas no ar com um público fiel e que sempre se renovava.

"Quando gravamos a primeira 'Malhação', a gente não tinha essa perspectiva tão longa, mas eu sempre achei que fosse durar. Na minha adolescência tinha o 'Sítio do Pica Pau Amarelo', depois já ia para as novelas adultas. Tinha um 'gap' para os jovens. Em 95 não tínhamos a internet com toda essa força. Fomos um dos primeiros programas feitos por jovens e para jovens brasileiros. Era uma fonte de reconhecimento, pertencimento", exalta Juliana, que recebeu o convite para ingressar na equipe por telefonema.

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Como era o trabalho?

Quando "Malhação" foi apresentada para a atriz, a Globo já contava com dois pilotos. Segundo Juliana, a emissora buscava jovens atores com características presentes nas descrições dos personagens. A intenção era fazer algo muito real. Foi assim que logo se encantaram pela artista, que já tinha 21 anos, mas conseguia transmitir a doçura que tanto esperavam de Bela. Não à toa, a mocinha entrou para a história como a primeira protagonista da novela teen.

"A Bela era realmente muito próxima de mim. Aprendi a tocar por ela. Não fiz um super laboratório. Eu tentava trazer para o meu coração, fazer uma coisa introspectiva, tirava de dentro", recorda, emocionada. "Me sinto muito orgulhosa de estar no grupo dos pioneiros de 'Malhação' para contar essa história. Me sinto parte total dessa engrenagem", completa.

Dalton Mello e Juliana Martins em
Dalton Mello e Juliana Martins em "Malhação" (Foto: Divulgação/Globo)

As gravações da primeira "Malhação", apesar de já contarem com toda a estrutura da Globo, ainda eram vistas como algo pequeno na época. "Era tipo um experimento, uma novidade. Eles [diretores] queriam uma cor diferente, um close mais fechado, um tom diferente das novelas. Um novo formato mesmo. A gente repetia as cenas para closes mais fechados várias vezes. Falavam que se desse certo a gente conseguiria a segunda temporada", revela.

O elenco, muito unido e pequeno, contava com uma característica marcante: todos se encontravam no estúdio. De acordo com Juliana, que já fez outras novelas na emissora, a maioria das tramas são divididas em núcleos e alguns atores, mesmo estando na mesma novela, nunca se encontram nos bastidores. Na primeira "Malhação", porém, isso era impossível acontecer. "Acho que era uma coisa mais aconchegante, menos pressão. 'Malhação' acaba que vira um xodó para quem passou por lá", explica.

Sucesso e reconhecimento

O segredo para durar 26 anos no ar? A linguagem. Embora não acredite que "Malhação" acabou por causa da internet, Juliana acredita que o público era mais dependente da TV para se informar. "Hoje em dia as questões que os jovens vivem é só botar no Google que você encontra muita gente dando depoimento. Naquela época não tinha isso", explica.

Segundo a atriz, porém, as últimas temporadas de "Malhação" cumpriram seu papel abordando temas importantes e quebrando tabus. "Os jovens estão com a cabeça mais aberta. As novas gerações estão bem melhores e 'Malhação' se renovou. Uma das renovações foi deixar de ser uma academia e ser uma escola. A Globo apostou nos estudos", avalia.

Juliana está com 47 anos  (Foto: Leo Aversa)
Juliana está com 47 anos (Foto: Leo Aversa)

Por onde anda?

Juliana Martins não estreou na TV em "Malhação", mas o trabalho certamente a deixou mais conhecida e abriu portas na dramaturgia. Com novelas renomadas no currículo, como "Belíssima", Pé na Jaca" e "Cheias de Charme", a atriz acredita que ter sido a primeira protagonista da novela teen a deixou mais preparada para o que ela nem esperava encarar futuramente.

Atualmente, por exemplo, Juliana se prepara para a volta aos palcos com seu monólogo "O Prazer é Todo Nosso", dirigido por Bel Kutner. Ela estreou online durante o período rígido de isolamento social, mas já está ansiosa para a volta do presencial no Rio de Janeiro, no Teatro Laura Alvim, de 13 a 28 de novembro.

"A experiência no teatro online foi muito difícil, ficava muito nervosa. É uma comédia e sem o público fica difícil pra caramba. É diferente de fazer TV. Se você gagueja ou tropeça, corta e faz de novo. No teatro, se você erra, o público está lá e não tem drama, mas no online o erro fica estranho. Não podia gaguejar, respirar diferente", conta a atriz.

Mesmo cheia de cuidado para não dar spoilers, Juliana fala do trabalho com entusiasmo e adianta o que o público encontrará se marcar presença no teatro. "O monólogo é sobre o sexo pelo ponto de vista da mulher. Conto minhas histórias misturadas com histórias de amigas. Fui casada por 19 anos e quando me separei fiquei com muita gente, vivi várias roubadas. Conto essas roubadas na peça. Falo sobre a mulher querer viver sua liberdade sexual de uma forma engraçada", finaliza.

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