Primeira votação remota do Senado tem poucas falhas e passa em teste inicial

Isabella Macedo

BRASÍLIA — O Senado fez, pela primeira vez na história, uma sessão deliberativa remota para aprovar o estado de calamidade pública no país. Com três senadores já diagnosticados com infecção pelo novo coronavírus (Covid-19), incluindo o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), 75 senadores votaram a favor do texto por meio de uma plataforma experimental, que teve poucas falhas técnicas durante a sessão.

O presidente em exercício do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), presidiu a sessão no prédio do Prodasen, setor de tecnologia do Senado, acompanhado do relator do decreto legislativo, Weverton Rocha (PDT-MA). No início, houve um problema com o som transmitido para os senadores conectados, mas a falha logo foi corrigida. O mineiro pediu a compreensão e paciência dos colegas.

— Eu conto com a compreensão de todos porque estamos fazendo um esforço único, e nesse momento, nessa sessão de hoje, inclusive por seu caráter de urgência e pela natureza do decreto a ser votado. Eu pediria a todos a compreensão e a paciência por eventuais equívocos que possam ser cometidos e possíveis falhas técnicas como essa há pouco ocorrida da questão da voz que era ouvida pela TV, mas não pelos senadores. Nós vamos fazendo uma sintonia fina ao longo desse processo — pediu Anastasia.

Apesar do problema inicial, a sessão ocorreu sem grandes transtornos. Os senadores foram chamados nominalmente para proferir seus votos, por ordem do mais velho para o mais novo. A partir da semana que vem, os parlamentares não precisarão anunciar seus votos e apenas marcarão sua posição na plataforma.

Alguns senadores tiveram dificuldade de conexão e houve segunda chamada para que todos os 75 conectados pudessem declarar seus votos. Quatro senadores precisaram participar por chamada telefônica. Kátia Abreu (PDT-TO) foi a primeira a votar por ligação e anunciou que estava a caminho de Palmas, dirigindo de Brasília até a capital de seu estado. Além dela, Mecias de Jesus (Republicanos-MA), Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Plínio Valério (PSDB-AM) participaram por telefone.

União

Com discursos mais breves, os senadores também pregaram união de todos no momento de crise causado pelo Covid-19, independentemente de posições partidárias. O foco, destacaram, é resolver a crise.

O discurso mais enfático foi o do relator Weverton, chamado pouco depois de Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ). O maranhense citou o colega nominalmente e afirmou que o momento é de "lutar pela sobrevivência do povo brasileiro", e não de fazer campanha. Weverton se referia ao decreto que proíbe entrada de cidadãos de 12 países asiáticos e europeus no Brasil mas que não incluiu os Estados Unidos na lista. O país também tem tido um aumento exponencial de casos de Covid-19 em seu território.

— Vou deixar aqui um apelo, já que meu colega senador Flávio Bolsonaro que está aqui nessa sessão, não como relator mas como líder do PDT. Quero deixar aqui um conselho e uma sugestão de um colega parlamentar que está neste momento unindo forças, e o nosso relatório mostra isso. Não estamos mais aqui discutindo quem é oposição e quem é situação, mas não dá para acreditar que num momento difícil do nosso Brasil nós tenhamos ainda ideologias nas nossas posições de combate a esse terrível vírus que está amedrontando e trazendo grandes dificuldades para o nosso país, principalmente além da crise da saúde, a crise econômica - afirmou o senador.