Primeiras imagens do Sars-CoV-2 em ação revelam mecanismos usados para se espalhar pelo corpo

Ana Lucia Azevedo
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Imagem ampliada 84 mil vezes mostra o vírus Sars-Cov-2 (em amarelo), causador da Covid-19, atacando uma célula epitelial

RIO - As primeiras imagens do Sars-CoV-2 em ação dentro de células infectadas obtidas com microscopia eletrônica revelaram novas informações sobre os mecanismos usados pelo vírus para se espalhar pelo corpo e causar a Covid-19. O estudo, pioneiro no mundo, reuniu pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP) e indicou que ele usa mecanismos até agora desconhecidos em coronavírus para atingir diferentes órgãos.

Além de abrir caminho para entender melhor como a Covid-19 se agrava, a pesquisa permite avançar na pesquisa de alvos farmacológicos, drogas que realmente destruam o vírus. A microscopia eletrônica de varredura possibilitou mergulhar no campo de batalha entre o Sars-Cov-2 e as células invadidas. De tão pequeno, ele é invisível para os melhores microscópios óticos.

Em média, os cientistas ampliaram as imagens mais de 80 mil vezes, uma delas chegou a 229 mil amplificações; mais do que isso, perde-se a resolução, explica o principal autor do trabalho Lucio Ayres Caldas, do Laboratório de Ultraestrutura Celular Hertha Meyer e do Núcleo Multidisciplinar de Pesquisas em Biologia, ambos da UFRJ.

No trabalho submetido à revista Scientific Reports, da Nature, os cientistas relatam a descoberta de que o Sars-Cov-2 não precisa esperar a células invadidas se romperem para se espalhar pelo corpo. Ele também usar outros meios.

- Encontramos indícios de que as células infectadas fazem uma espécie de projeção, nanotubos, aderem umas às outras e o coronavírus se propaga assim também - explica Wanderley de Souza, do mesmo laboratório de Caldas, também autor do estudo e um dos decanos da ciência brasileira.

- Esse vírus e sua doença têm surpreendido a todos. Estudamos sua interação com as células justamente para encontrar formas para derrotá-lo - frisa Caldas.

O trabalho é parte de um projeto maior apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e emprega alguns dos equipamentos mais modernos do Rio de Janeiro, como os microscópios eletrônicos de varredura do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio), na UFRJ. Também é imprescindivel o laboratório de segurança de nível 3 (NB3) do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, coorderdenado por Amílcar Tanuri, um dos autores do estudo.