Primeiro casal a trocar alianças no santuário do Cristo Redentor recorda casamento, há 13 anos

·3 minuto de leitura

RIO - Em uma parada no santuário de Nossa Senhora Aparecida durante uma viagem a São Paulo, Márcia Marinho Leite Calderano, então com 38 anos, fez uma oração à padroeira do Brasil. Solteira e muito triste, ela pediu à Santa que encontrasse uma pessoa que a fizesse feliz nem que esperasse por dez anos. Não foi preciso tanto tempo. Uma semana depois, em uma festa conheceu, por intermédio de uma amiga em comum, o publicitário Fábio Marinho Leite Calderano. Entre os primeiros olhares da paquera, namoro, noivado e casamento passaram-se cerca de seis meses. Em 19 de fevereiro de 2008 marcaram a história do Cristo por ser o primeiro casal a trocar alianças no Corcovado depois que o monumento foi elevado a santuário. Treze anos depois, o casal continua junto: ele com 56 e ela com 52.

— Algumas coincidências me chamaram a atenção. Minha mãe, que já tinha morrido, se chamava Wanda Leite, o mesmo sobrenome da Márcia. É como se a mãe de Cristo (Nossa Senhora) e minha mãe tivesse fechado um acordo e reservado a Márcia para mim. Uma história dessas só poderia acabar com uma celebração no Cristo Redentor. O local é um símbolo da cidade que à medida em que envelhece ajuda a rejuvenescer o Rio. E por detalhes do ambiente, a cada dia o Cristo se apresenta de uma forma diferente no ambiente da cidade — diz Fábio.

Márcia lembra do dia com carinho:

— Com a benção de mãe de Jesus Cristo e da a mãe dele não poderia ser diferente. Reinauguramos a capela de Nossa Senhora, logo após uma reforma terminar — recorda-se.

O casal contou que no dia do casamento, o Cristo estava lotado de turistas e convidados quando começou a chover. Os visitantes foram embor ae só ficaram os convidados, que procuraram refúgio na capela.

— No carro, à espera do horário de entrar na capela só via as vans levando os turistas de volta. O Cristo Redentor ficou só para a gente e os nossos convidados— recorda-se Márcia.

De repente, na hora da cerimônia, a chuva passou e o casal ainda observou o surgimento de um arco-íris que cobriu todo o Cristo.

Um ano depois, numa missa de ação de gralas pelo primeiro ano de do casamento, realizada de novo no Cristo, o casal concluiu que o arco-íris não surgiu por acaso:

— Padre Omar abriu uma passagem bíblica por acaso. Era uma passagem do Gênesis que fazia referência ao arco-íris, como um símbolo da aliança que Deus fez com os homens. Nosso casamento foi fruto dessa aliança — diz Fábio.

O casal conta que a ideia de realizar a cerimônia no Cristo foi do padre Omar Raposo, que procuraram com a ideia de celebrar a cerimônia na Igreja Nossa Senhora da Paz (Ipanema. Ele ofereceu o Cristo como opção. Pra o primeiro casório, padre Omar abriu mão de ser o celebrante a pedido dos noivos, que sugeriram outro sacerdote,

— Até então, nem tinha pensado em casar no Cristo. Cheguei a pensar, por sugestão do Sávio Neves (administrador do Trem do Corcovado) apenas em uma festa para comemorar aniversário da minha agência de publicidade. Mas não levei a frente — contou o publicitário.

Fábio e Márcia, que não tiveram filhos, moram em Ipanema em um apartamento com sala e quarto com vista para o Cristo. Ele contam que isso ajuda todos os dias a relembrar o final feliz.

Há referências de outros casamentos ocorridos ao longo dos anos no Corcovado, mas a Arquidiocese do Rio só inclui nas estatísticas oficiais aqueles realizados depois que o Cristo foi elevado a Santuário no aniversário de 12 de outubro de 2006,em missa celebrada por em missa solene pelo então cardeal do Rio dom Eusébio Scheid. Até a última quarta-feira (6 de outubro), 221 casais escolheeram o Cristo para dizer o ‘’sim’’. Um casamento ali custa a partir de R$ 3,5 mil.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos