Primeiro dia de aula da rede municipal do Rio deixa pais e alunos cheios dúvidas

Diego Amorim
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O primeiro dia de volta às aulas na rede municipal de ensino do Rio, na segunda-feira, ainda no modelo remoto, foi marcado por muitas dúvidas e nenhuma aula. A abertura das atividades pela TV Escola (canal 2.3) foi um discurso do secretário da pasta, Renan Ferreirinha. Os pais continuam sem entender a eficácia do sistema híbrido — no dia 24 de fevereiro começam as aulas presenciais para estudantes de famílias que não têm acesso à internet. Outra questão levantada é o fato de as aulas, inicialmente, terem apenas 15 minutos.

— Tive muitas dúvidas sobre a grade divulgada pela escola. Ainda falta muita transparência, percebo muitas lacunas em relação ao retorno — afirma a nutricionista Luciana Nascimento, de 41 anos, que teme pela adaptação da filha, de 4 anos. — Ela não gostou, não reagiu bem ao sistema remoto. Disse que não quer mais assistir às aulas pela TV ou internet. Penso no desafio para mães com mais de um filho, com ritmo de trabalho intenso ou sem televisão em casa.

Sobre o tempo curto das aulas, a Secretaria de Educação explicou que os professores enviarão também atividades de apoio pelo Rioeduca, pelos livros do Plano Nacional do Livro Didático e, a partir do fim do mês, pelo aplicativo Rioeduca em Casa (que não consome o pacote de internet do celular). A pasta explica ainda que os estudantes sem acesso à internet vão receber o material didático impresso e irão às escolas para buscar e deixar as atividades. As dúvidas dos estudantes sobre o conteúdo apresentado na TV poderão ser enviadas por email e WhatsApp (os canais serão divulgados durante as aulas) e serão respondidas pelo professor ao vivo.

Algumas famílias reclamam porque não sabem quais escolas estão aptas a receber os estudantes para aulas presenciais — já se sabe que 44 delas não têm infraestrutura para atender às exigências sanitárias da pandemia do coronavírus. Também não foram divulgados os horários das aulas presenciais nem as atividades em rodízio. O calendário da volta por turma não foi publicado.

De acordo com a secretaria, a volta dos alunos está condicionada às condições epidemiológicas de cada região administrativa da cidade. Se for moderada (bandeira amarela) para risco de contágio de Covid-19, as unidades poderão receber 75% dos alunos. Se estiver alta (bandeira laranja), 50% e, muito alta (bandeira vermelha), 30%.

O funcionário público Leonardo Rocha, de 36 anos, é pai de um aluno do 1º ano do ensino fundamental e teme pelo aprendizado das crianças:

— Provavelmente haverá um abismo no aprendizado, porque escolas de áreas mais humildes serão as últimas a voltar.

Na primeira fase, voltarão parcialmente alunos da pré-escola, 1º e 2º anos. Na segunda etapa, voltam parte das turmas de creches e alunos do 3º ao 6º anos e do 9º ano. Já na terceira e última etapa, mais alunos de creches, 6º ao 8º anos, Peja (programa de educação de jovens e adultos) e as classes especiais. No Estado, as aulas presenciais e remotas começam em 1º de março. Cerca de 70 mil alunos — 10% do total — não têm acesso à internet.

Escolas particulares

A volta às aulas presenciais nas escolas particulares do Rio teve procura maior de alunos do que na retomada ocorrida no 2º semestre de 2020. Com rodízios de turmas e transmissão em tempo real das aulas para quem está em casa, os colégios adotaram protocolos de segurança. A previsão é que todas estejam com atividades presenciais até o dia 22.