Primeiro dia de feriadão forçado em São Paulo tem famílias e esportistas nas ruas

Giuliana de Toledo
Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, na véspera do feriado prolongado forçado na cidade

SÃO PAULO - A quarta-feira (20), primeiro dia de feriado prolongado na cidade de São Paulo, criado para tentar frear os casos da Covid-19, levou esportistas e famílias a lugares típicos de atividades ao ar livre. Na Avenida Sumaré, zona oeste da capital, por exemplo, especialmente corredores se exercitavam na faixa própria para lazer, no canteiro central da via. Ao lado, na Praça Irmãos Karmann, algumas famílias com crianças brincavam no playground, usando máscaras.

Segundo os frequentadores, porém, o fluxo de pessoas estava menor que em outros dias da semana. O personal trainer Cláudio Santiago, 37, acompanhava um aluno em um treino de corrida. Para ele, a escadaria em frente à praça, que normalmente é usada por muitos esportistas para treinarem subidas e descidas, estava mais vazia que o habitual nesta manhã.

— Já vi esse lugar lotado — contou ele, que vai ao local diariamente.

No outro lado da rua, nos balanços da área de lazer infantil, o casal de advogados Daniele Alves e Denis Martins, ambos de 43 anos, supervisionavam os filhos, de 6 e 3 anos. Além da proteção das máscaras, cada troca de brinquedos era uma pausa para passar álcool em gel nas mãos de todos. Para eles, era apenas um intervalo na jornada, já que os escritórios em que trabalham não aderiram ao feriadão municipal, que transportou para este 20 de maio o feriado de Corpus Christi (de 11 de junho), porque lidam com casos que continuam tramitando em outras cidades. O setor bancário e a Bolsa de Valores são outros serviços que também não pararam, apesar da medida.

Na região do parque Ibirapuera, o sol também atraiu pessoas aos gramados disponíveis, a maioria usando máscaras. Embora o parque esteja com portões fechados, há áreas abertas em frente ao lago. Cerca de 20 pessoas, geralmente em duplas, descansavam por lá por volta do meio-dia. Marina Giubilato, 35, era uma delas, deitada tomando sol em uma canga. A analista de RH, que está com o contrato de trabalho suspenso em razão da pandemia, frequentemente corre no entorno do parque. Segundo ela, o número de pessoas circulando também parecia menor.

Na margem do lago, o empresário Giuliano Passini observava o filho Tito, de 3 anos, jogar migalhas de pão para os peixes abocanharem. Para ele, que costuma fazer esse passeio, a sensação era a mesma: o gramado de uma das poucas áreas disponíveis no parque estava menos disputado do que em outros dias da quarentena.

Já a Avenida Paulista, que antes da pandemia era um dos principais locais de lazer em domingos e feriados, quando ficava fechada para a circulação de carros, estava com pouco movimento de pedestres. A maioria dos que circulavam por ali passeavam com cachorros ou faziam compras em farmácias e mercados, estabelecimentos que podem continuar com as portas abertas.

Em trens e metrôs da cidade observados pela reportagem o movimento era baixo. Os índices oficiais ainda serão calculados e divulgados pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e pelo Metrô.

Litoral

Nesta manhã, a chegada à cidade de Santos registrou um congestionamento de 4 quilômetros em função da triagem de veículos no município. Algumas prefeituras do litoral criaram barreiras na entrada das cidades.

A Ecovias, administradora das rodovias Anchieta e Imigrantes, que dão acesso ao litoral do estado, informou que o tráfego estava normal nos demais trechos em direção aos municípios da Baixada Santista. O tráfego também foi normal nas rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto e Tamoios, assim como nas rodovias Bandeirantes e Anhanguera, que dão acesso à Campinas e interior do estado, administradas pela Autoban.O megaferiado decretado na capital paulista a pedido do prefeito do Bruno Covas (PSDB), que antecipa, além de Corpus Christi, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), pode ser emendado com o Nove de Julho, feriado estadual que pode passar para esta segunda-feira (25). A ampliação é um pedido do governador João Doria (PSDB). Segundo ele, a mudança será votada na Assembleia Legislativa e tende a ser aprovada.

Na sexta-feira (15), segundo o governo, o índice de isolamento no estado foi de 47%. Segundo representantes do Comitê de Contingência do coronavírus em São Paulo, o ideal seria um índice superior a 50%.