Primeiro dia de verão no Rio tem calor de 38 graus, praias cheias e mais gente nas ruas, apesar da pandemia

Yasmin Setubal
·3 minuto de leitura
Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO — Um calorão que chegou a 38,6 graus, de acordo com o sistema Alerta Rio, da prefeitura, marcou a chegada do verão no Rio, nesta segunda-feira. Assim como aconteceu neste domingo, quando termômetros marcaram 37 graus, as praias ficaram lotadas, em contraste com o drama causado pela pandemia do novo coronavírus, que avança na capital. No dia em que a cidade chegou a 156.818 casos e 14.296 vidas perdidas pela doença, e a ocupação de leitos de UTI exclusivos para infectados esteve em 90% na rede SUS, com 160 pessoas no aguardo de uma vaga de terapia intensiva, nota-se indícios também de que o isolamento social vem caindo em toda a cidade, principalmente na orla.

Segundo análises da empresa de monitoramento Cyber Labs, o Rio apresentou apenas 35% de isolamento social nesta segunda, ou seja, 65% dos cariocas estão circulando. Até as 15h, bairros litorâneos como Copacabana, Ipanema e Leblon, na Zona Sul, registraram uma queda pequena de 30% de pessoas nas ruas em comparação com dias normais, e Barra da Tijuca, 58%. O pior índice está em Botafogo, que totalizou apenas 5% a menos de movimentação na comparação com o período pré-pandemia.

O epidemiologista Guilherme Werneck, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), considera que o verão seja uma época em que as pessoas não costumam ficar muito dentro de casa, mas faz ressalvas quanto a escolha dos cariocas em ir para lugares de intensa aglomeração.

— Nós geralmente sugerimos que as pessoas circulem por lugares abertos, mas, realmente, ir a uma praia lotada, já perde todo o efeito dessa questão de evitar a contaminação. A alternativa é recomendar que as pessoas tentem ir a lugares menos aglomerados do que as praias estão se mostrando, além de sempre usar máscaras e manter o distanciamento — comenta o médico.

Mais segurança nas praias durante o verão

Nesta segunda-feira, o Corpo de Bombeiros Militar do Rio também deu início a uma operação que promete reforçar a segurança dos banhistas durante o verão 2020/2021. De acordo com a corporação, cerca de 1,2 mil guarda-vidas vão monitorar as praias do estado com apoio de motos aquáticas, placas de sinalização de risco e totens informativos recém-adquiridos por meio da taxa de incêndio, que serão instalados em pontos estratégicos da orla.

Tempo deve mudar e pode chover no Natal

Apesar do calor, a previsão é de que o tempo firme mude nos próximos dias com a passagem de uma frente fria pelo estado, que vai provocar uma queda na temperatura e pancadas de chuva em todo o território durante essa semana, inclusive no Natal.

Marlene Leal, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia do Rio (Inmet), explica que o aumento do nível da umidade relativa do ar, que é comum durante o verão, e a incidência do fenômeno La Niña, que consiste no resfriamento da superfície das águas do Pacífico, contribuem para a instabilidade do tempo no começo da estação mais quente do ano.

— No verão, as temperaturas são bastante elevadas e a umidade relativa do ar é muito alta também, e isso favorece aquelas chuvas que ocorrem no período da tarde, que são chuvas rápidas, acompanhadas de trovoadas, rajadas de vento e, às vezes, granizo. Como estamos na situação do La Niña, as chuvas são bem irregulares para a nossa região, podendo ocorrer meses com mais chuvas e outros, menos chuvosos. Se temos uma frente fria entrando, essa instabilidade fica ainda maior — conta a meteorologista.