Primeiro emprego: projeto quer gerar 5 milhões de oportunidades para jovens de baixa renda até 2030

Iniciativa que já reúne mais de 200 empresas privadas no país quer gerar cinco milhões de oportunidades de empregabilidade a jovens de baixa renda até 2030. O Pacto Coletivo pelos Jovens, criado pelo Instituto Coca-Cola Brasil (ICCB) no fim de 2020, trabalha agora para dar escala ao movimento e atrair novas corporações.

Para isso, realizou ontem o Potências do Futuro, na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. O evento, que teve apoio do G10 Favelas, presidido por Gilson Rodrigues, contou com a participação de mais de 35 executivos de companhias como McDonald’s, Itaú, Ancar, Bob’s e Electrolux, que se reuniram com 23 jovens do projeto.

— Numa primeira década capacitando jovens em conexão com o mercado de trabalho, impactamos 250 mil. Mas, pela demanda social no país, com 47 milhões de jovens, sendo 18 milhões deles abaixo da linha da pobreza ou em extrema pobreza, temos de ir de milhares para milhões — diz Daniela Redondo, diretora executiva do ICCB.

A digitalização dos cursos de formação para o primeiro emprego, puxada pela pandemia, explica Daniela, colaborou para uma primeira aceleração do movimento, fazendo o alcance do projeto saltar de 44 para mais de dois mil municípios no país. Antes da Covid-19, 28 mil jovens passavam pelo curso Coletivo Online. No ano passado, esse número passou a 50 mil, marca que deve dobrar este ano.

O curso recebe jovens de 16 a 25 anos de idade, contatados em conjunto com educadores e articuladores de comunidades. Do total, 70% são negros, 69% são mulheres, e 75% têm renda familiar inferior a dois salários mínimos. Com isso, há empresas que já pedem seleções com recortes específicos, como apenas para jovens negros, por exemplo.

Do total de jovens que começa a fazer o curso, 73% estão procurando trabalho.

Monitoramentos feitos três e seis meses após a conclusão desse curso, que é ancorado em habilidades socioemocionais, mostram que aproximadamente 50% dos jovens qualificados começaram a trabalhar. Uma parte dessa inclusão produtiva é via parceiros. Outra parte dos jovens se movimentou, empreendeu ou aprendeu a procurar emprego.

O esforço para ampliar a rede de empresas no Pacto pretende ainda avançar no apoio aos jovens no pós-contratação.

— Se ele é apenas contratado e não há movimento depois disso, o risco de esse jovem perder o emprego nos primeiros meses é alto. E aí não foi uma inclusão de fato, não ajudou esse jovem a galgar o desenvolvimento para ter a resiliência e sair do ciclo de pobreza — conta Daniela.

Eduardo Santos, diretor-geral da EF Education First, que integra o Pacto e participou do evento em Paraisópolis, reconhece que nem todas as empresas estão preparadas para receber jovens de comunidades e em vulnerabilidade, mas entendem o valor de fazer isso:

— Esses jovens são os futuros consumidores, o que impacta a economia, e ainda são donos das jornadas de inovação e resolução de problemas que as empresas têm e que seu corpo diretivo, muito pouco incluso e diverso, passará a ter dificuldade de resolver.

Para Daniela, com o foco nos jovens e formando uma grande rede de empresas é possível acelerar mudanças e novas agendas:

— Temos uma questão do racismo estrutural, do nosso sistema. Às vezes, mesmo quando existe boa vontade, existem vieses, inclusive inconscientes, e é normal no mundo em que estamos atuar para quebrar isso para que a inclusão aconteça de forma rápida.

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