Prestes a chegar ao país, 1º lote de vacina da Pfizer pode ser distribuído apenas em algumas capitais

Renata Mariz e Paula Ferreira
·3 minuto de leitura
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne os gestores estaduais, também concordam que se crie regras diferenciadas para o primeiro lote da vacina da Pfizer - Foto: Claudio Santana/Getty Images)
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne os gestores estaduais, também concordam que se crie regras diferenciadas para o primeiro lote da vacina da Pfizer - Foto: Claudio Santana/Getty Images)
  • Ministério da Saúde estuda distribuir primeiro lote do imunizante da Pfizer apenas em grandes capitais do país

  • Justificaria seria um acesso mais fácil a estrutura disponível, já que imunizante necessita de cuidados mais específicos do que vacinas já aplicadas no Brasil

  • Com um milhão de doses previstas para chegar ao país, nem todas as capitais devem ser contempladas

Previsto para chegar ao Brasil na semana que vem, o primeiro lote da vacina da Pfizer contra a Covid-19, com um milhão de doses, poderá ser distribuído somente para capitais e outros centros urbanos de grande porte. A ideia é debatida internamente no Ministério da Saúde e também tem o apoio de secretários estaduais e municipais da área. 

A pasta e os gestores entendem que, ao menos para essas primeiras doses, seria melhor adotar novas regras de distribuição, que considerassem a estrutura disponível em cada local. Isso porque a vacina da Pfizer demanda uma temperatura de -60°C para ser transportada em segurança.

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Nem todas as capitais devem receber. O Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) está consultando os gestores locais para saber quais cidades poderão armazenar corretamente a vacina da Pfizer.

— Somente as que têm condições e logística para esta vacina (devem receber doses do primeiro lote) — diz Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems. 

Ele afirma que as consultas estão sendo feitas para levar uma proposta fechada ao Ministério da Saúde nesta terça-feira. 

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne os gestores estaduais, também concordam que se crie regras diferenciadas para o primeiro lote da vacina da Pfizer, tendo em vista as condições difíceis de armazenamento do imunizante. 

— A vacina deve ir para onde houver mais facilidade de logística nesse momento — destaca Jurandi Frutuoso, representante do Conass.

Duas fontes do Ministério da Saúde relataram ao GLOBO, sem se identificarem, que a ideia é de fato contemplar as capitais e grandes centros urbanos que tenham a estrutura para receber os imunizantes. As novas regras, porém, ainda serão pactuadas com as entidades que representam os gestores locais de Saúde. 

A regra geral do Programa Nacional de Imunização (PNI) tem sido a distribuição igualitária para estados, que repassam aos seus municípios. Até então, somente as vacinas da AstraZeneca/Fiocruz e do Sinovac/Instituto Butantan estão sendo usadas no país. 

Após ignorar ofertas iniciais, governo foi pressionado e se esforçou por lote menor

Governo Bolsonaro ignorou ofertas da farmacêutica alegando cláusulas draconianas, como a que isenta a fabricante de efeitos adversos do produto - Foto: AP Photo/Esteban Felix
Governo Bolsonaro ignorou ofertas da farmacêutica alegando cláusulas draconianas, como a que isenta a fabricante de efeitos adversos do produto - Foto: AP Photo/Esteban Felix

O governo federal anunciou na semana passada que a Pfizer iria antecipar a remessa de doses ao Brasil. A previsão é que 1 milhão chegue ainda em abril. Depois há entregas previstas para maio e junho, totalizando 15,5 milhões. 

— Uma boa notícia é justamente a antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República Jair Bolsonaro com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses da Pfizer já no mês de abril, maio e junho— anunciou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em pronunciamento no Palácio do Planalto, na semana passada. 

Negociações frustradas, desde o ano passado, com a Pfizer são apontadas como motivo de atraso na obtenção de doses por parte do Brasil. O governo ignorou ofertas da farmacêutica alegando cláusulas draconianas, como a que isenta a fabricante de efeitos adversos do produto.

O presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do governo chegaram a criticar publicamente as condições do contrato. Mas, diante de pressões para acelerar a vacinação no país, o Executivo acabou por assinar os termos antes criticados para fechar a compra, somente em março, de 100 milhões de doses.

O GLOBO questionou o Ministério da Saúde sobre os critérios para distribuição da vacina da Pfizer, mas ainda não obteve resposta.