Apuração provisória aponta que ex-guerrilheiro será novo presidente do Timor

Bangcoc, 21 mar (EFE).- O ex-líder guerrilheiro Francisco Guterres lidera a apuração de votos das eleições presidenciais realizadas na segunda-feira, no Timor-Leste, com uma vantagem suficiente para se tornar no próximo chefe de Estado, informaram nesta terça os veículos de imprensa locais.

Guterres, conhecido como Lu Olo, somava no início do dia 59,79% dos votos uma vez apuradas 69,4% das cédulas, segundo dados do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral citados pelo portal "Sapo".

Com estes resultados, o candidato da Frente Revolucionária pela Independência do Timor-Leste (Fretilin) se transformaria no quarto presidente eleito desde a independência do país sem necessidade do segundo turno.

Esta segunda rodada estava prevista ser realizada no dia 20 de abril, entre os dois candidatos mais votados dos oito que se apresentaram se nenhum deles conseguisse a maioria absoluta.

Guterres, que se apresentava como candidato a presidente pela terceira vez, contou com o apoio do Congresso Nacional para a Reconstrução do Timor (CNRT), partido do carismático ex-líder guerrilheiro, ex-presidente e antigo primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

As duas formações, surgidas do movimento de resistência armada à ocupação indonésia, selaram em 2015 um acordo de governo com a renúncia de Gusmão para liderar o governo e sua substituição por Rui Araújo, do então opositor Fretilin.

O novo presidente tomará posse no dia 20 de maio, data que expira o mandato do atual chefe de Estado, José María Vasconcelos, conhecido como Taur Matan Ruak, e que coincide com o 15º aniversário da independência do país.

Após a escolha do novo presidente, cargo com poucos poderes executivos mas com poder de veto de iniciativas legislativas, acontecerão as eleições para escolher o novo parlamento e governo timorense, que serão realizadas em julho.

A comunidade internacional reconheceu a independência do Timor-Leste, que conta com 1,2 milhão de habitantes, em 20 de maio de 2002, após três anos administrado pela ONU, 24 anos ocupado pela Indonésia e vários séculos de domínio colonial português. EFE