Boris Johnson permanece no cargo mas fica enfraquecido após voto de desconfiança

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, abalado pelo escândalo das festas em Downing Street durante os confinamentos da pandemia, sobreviveu nesta segunda-feira (6) a um voto de desconfiança do Partido Conservador, o que garantiu sua permanência no cargo, mais o deixou enfraquecido.

Ele estava ameaçado pelo 'partygate' há cerca de dois meses, porém parecia estar a salvo devido à mudança de foco pela guerra na Ucrânia.

Para concretizar a votação eram necessários pedidos por carta de pelo menos 15% dos 359 deputados da maioria conservadora, ou seja 54, o que foi alcançado no domingo, anunciou nesta segunda-feira Graham Brady, presidente do comitê que administra a bancada parlamentar conservadora.

Mas somente 148 dos 359 conservadores votaram contra o primeiro-ministro, que obteve 211 votos favoráveis.

Antes, Johnson, de 57 anos, conhecido por seu talento para o escapismo político, conversou com suas bancadas a portas fechadas em uma sala do Parlamento de Westminster, na tentativa de convencê-las.

"Em muitas ocasiões foi dito que eu estava acabado. Mas consegui restabelecer a confiança. Parem de falar de Westminster e comecem a falar das pessoas que nos colocaram aqui", disse ele, segundo um de seus assessores.

"A conquista desta noite é gigante [...] o melhor está por vir", acrescentou, segundo a mesma fonte, insinuando uma próxima redução de impostos, medida muito popular em um momento de inflação disparada que afeta muitas famílias.

- 'O início do fim' -

Segundo uma pesquisa relâmpago realizada pela YouGov com 506 membros do Partido Conservador, 42% queriam a destituição de Johnson e 53% preferiam que ele permanecesse.

Uma vez que ele saiu vitorioso, não será possível uma nova votação semelhante durante um ano.

No entanto, o alto número de parlamentares que se expressaram contra Johnson representa seu enfraquecimento.

"A história nos diz que este é o princípio do fim", afirmou o líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, à radio LBC.

"Se observarem os exemplos anteriores de votos de desconfiança, incluindo quando os primeiros-ministros conservadores sobreviveram [...], o dano já está feito e normalmente eles caem razoavelmente rápido", lembrou, em alusão aos casos de Margaret Thatcher e Theresa May.

Em breve, uma comissão parlamentar deve investigar se Johnson mentiu à Câmara dos Comuns quando em dezembro, quando garantiu que não houve festas em seu gabinete e que as normas anticovid não foram violadas.

Segundo o código de conduta oficial, enganar o Parlamento é motivo de destituição, se ficar demonstrado que isso foi feito para resistir à pressão da oposição em suas próprias fileiras.

O Partido Conservador tem um histórico implacável com seus líderes que deixaram de ter apelo eleitoral - incluindo Margaret Thatcher - e Johnson, que chegou ao poder de modo triunfal em 2019 quando a enfraquecida Theresa May se viu forçada a renunciar mesmo tendo superado um voto de desconfiança, sabe bem disso.

- Vaiado pela multidão-

A promessa de um Brexit que parecia impossível levou Johnson ao cargo que desejou a vida toda, mas agora, considerado um "mentiroso" pela maioria dos britânicos, vê sua popularidade cair e, na semana passada, foi vaiado pela multidão durante um ato do jubileu da rainha.

Por algum tempo, a falta de um sucessor contou a seu favor.

Porém, um relatório interno sobre o "partygate", publicado em 25 de maio, atribuiu as múltiplas violações das regras anticovid aos "altos funcionários envolvidos". E reacendeu a raiva dos rebeldes conservadores contra seu líder.

Johnson, que só recebeu uma multa por ter participado de uma festa em seu aniversário de 56 anos, pediu desculpas, garantido que "não lhe ocorreu" que o breve encontro "poderia constituir uma violação das regras".

Ele rejeitou os pedidos de renúncia da oposição e de alguns de seus deputados, garantindo que tinha que seguir em frente com "prioridades", como a guerra na Ucrânia e a crescente crise sobre o custo de vida.

Mas ele não convenceu muitos, como John Penrose, seu "czar anticorrupção" que renunciou nesta segunda-feira, considerando "bastante claro que [Johnson] quebrou" o código de conduta oficial e que também deveria sair.

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