Primeiro-ministro da Itália deve renunciar após partido da coalizão não apoiar pacote de ajuda

Primeiro-ministro da Itália deve renunciar após partido da coalizão não apoiar pacote de ajuda

O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, sinalizou que renunciará à liderança do governo, após o segundo maior integrante da coalizão, o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S, na sigla em italiano), se recusar a oferecer o seu apoio em uma votação importante de um pacote de ajuda no Senado.

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O Projeto de Lei de Ajuda destina dezenas de bilhões de euros a famílias e empresas para ampará-las contra a inflação no país. A liderança do M5S, no entanto, considera o pacote insuficiente e contesta um projeto incluído no texto para construir um incinerador de lixo para Roma, por considerá-lo caro, poluente, ineficiente e de tecnologia ultrapassada.

O pacote acabou passando com 172 votos a favor e 39 contra, devido endosso de outros grandes partidos, incluindo os Democratas e a Liga. Nenhum senador do M5S, no entanto, o apoiou: todos os senadores permaneceram sentados enquanto eram chamados para votar.

Isto já fora anunciado na noite de quarta-feira por Giuseppe Conte, ex-primeiro-ministro e atual líder do M5S, que dissera que os senadores de seu partido não iriam apoiar a iniciativa.

— Tenho um forte medo de que, em setembro, as famílias precisarão escolher entre pagar a conta de luz ou comprar comida — disse ele.

A perda do apoio do M5S significa que Draghi perde a maioria para governar, e ele prometeu renunciar. Imediatamente após a votação, ele foi ao Palácio do Quirinale para uma reunião com o presidente, Sergio Mattarella, na qual se espera que ofereça sua renúncia.

Não está claro, no entanto, se Mattarella aceitará a entrega do cargo por Draghi, um economista tecnocrata de 74 anos que há 16 meses lidera um governo de unidade.

O presidente italiano pode pedir ao ex-chefe do Banco Central Europeu que busque o apoio de todos os aliados e então promova uma nova votação, para avaliar a sua força.

Um colapso da coalizão poderia levar a uma eleição antecipada, possivelmente no outono europeu (primavera no Brasil). A maioria dos partidos, contudo, deseja evitar isso, por entender que o partido de extrema direita Irmãos da Itália pode chegar ao poder.

No pano de fundo da crise política há também ações pensadas para reposicionar os partidos políticos. A próxima eleição italiana está marcada para junho de 2023, e os partidos buscam uma identidade própria, após 16 meses diluídos sob a liderança de Draghi.

A popularidade do M5S diminuiu consideravelmente nesse período, e Conte está sob pressão de seus parlamentares para abandonar o governo.

Conte, por sua vez, tem sido cada vez mais crítico do premier, dizendo que Draghi não aportou dinheiro suficiente para de fato ajudar empresas e famílias atingidas pelos altos preços da energia.

Ele também pediu que Roma amplie seu déficit, uma possibilidade que Draghi descartou por enquanto.

Matteo Salvini, da direitista Liga, também criticou o governo e pediu eleições antecipadas, reafirmando a aliança de seu partido com o Força Itália, de Silvio Berlusconi

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