Primeiro-ministro da Tailândia recua ante o movimento pró-democracia

Thanaporn PROMYAMYAI y Sophie DEVILLER
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Manifestação a favor da democracia em Bangcoc, em 21 de outubro de 2020
Manifestação a favor da democracia em Bangcoc, em 21 de outubro de 2020

O primeiro-ministro da Tailândia retrocedeu nesta quinta-feira ante o movimento pró-democracia, que exige sua renúncia e uma reforma da monarquia, e decidiu suspender o estado de emergência "reforçado", uma vitória para os milhares de manifestantes nas ruas, apesar da proibição de reuniões. 

O chefe de Governo, Prayut Chan-O-Cha, decidiu suspender o decreto de emergência a partir de quinta-feira ao meio-dia (0H00 de Brasília), anunciou o Diário Real, órgão oficial do palácio. 

"A situação foi flexibilizada. Agora os representantes do governo e os organismos estatais podem aplicar as leis comuns", afirmou a publicação. "Todas as medidas excepcionais foram suspensas". 

Além de proibir as reuniões com mais de quatro pessoas, o texto dava à polícia carta branca para fazer detenções e confiscar qualquer publicação eletrônica considerada "contrária à segurança nacional".

O estado de emergência foi imposto em 15 de outubro, um dia depois dos incidentes registrados durante a passagem do cortejo da rainha Suthida, quando ativistas pró-democracia levantaram três dedos diante de seu carro, um sinal de desafio inspirado no filme "Jogos Vorazes", que virou um símbolo de resistência. 

Desde então, milhares de manifestantes, em sua maioria jovens, desafiaram a proibição de reuniões com eventos diários e simultâneos em vários pontos de Bangcoc. 

"O governo está fazendo uma mudança de rumo porque percebe que os métodos antigos não funcionam mais", disse Christine Cabasset, do Instituto de Pesquisas sobre o Sudeste Asiático Contemporâneo. 

"Não poderia continuar perdendo a cara para uma juventude ultradeterminada que não parou de lutar apesar da detenção da maioria de seus líderes. É uma vitória do movimento, que continua fortalecendo sua base”, afirma.

Os protestos exigem a renúncia do primeiro-ministro, um general que chegou ao poder por um golpe de Estado em 2014 e legitimado pelas polêmicas eleições do ano passado. 

Também desejam uma revisão da Constituição, que consideram muito favorável ao exército, e se atrevem a reclamar uma reforma da poderosa e rica monarquia, um tema considerado tabu no país por muitos anos.

O rei Maha Vajiralongkorn não comentou diretamente os eventos e na semana passada afirmou apenas que a Tailândia precisa de "um povo que ame seu país". 

Prayut Chan-O-Cha havia antecipado na quarta-feira que se preparava para suspender o decreto de emergência. 

"Estou dando o primeiro passo para desativar a situação", disse, antes de pedir aos manifestantes que resolvam suas divergências no Parlamento, que se reunirá em sessão extraordinária a partir de segunda-feira para tentar resolver a crise. 

No mesmo horário, quase 7.000 manifestantes pró-democracia se reuniram perto da Casa de Governo, desafiando o decreto pelo sétimo dia consecutivo. 

bur-sde/ia/pc/zm/fp