Afeganistão acusa Paquistão de violar seu espaço aéreo

Cabul, 5 abr (EFE).- O Governo do Afeganistão acusou nesta quinta-feira o Paquistão de violar o espaço aéreo afegão para lançar quatro bombas, na véspera de uma visita do primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khaqan Abbasi.

"A República Islâmica do Afeganistão condena energicamente o bombardeio paquistanês no distrito de Dangam, da província de Kunar, e o classifica de clara violação do espaço aéreo e séria violação contra a soberania nacional e a integridade do Afeganistão", disse o Ministério de Exteriores em comunicado.

O ministério informou que vários aviões de combate paquistaneses lançaram ontem à noite quatro bombas na região de Shahidan-Sarow, causando danos materiais "significativos".

"O Afeganistão avisa que este tipo de ato por parte do Exército paquistanês vai contra as relações internacionais e princípios de vizinhança, e terá impactos negativos adicionais nas relações entre os dois países", concluiu o Executivo de Cabul.

O porta-voz do Ministério de Defesa do Afeganistão, Muhammad Radmanish, confirmou à Agência Efe que no passado o Paquistão já tinha cometido outros tipos de violação, como lançamento de morteiros, do seu lado da denominada Linha Durand, a fronteira de fato pactuada no século XIX entre britânicos e afegãos.

No entanto, segundo Radmanish, esta seria a primeira vez que Islamabad realiza bombardeios dentro do território afegão.

A fonte declarou que todas as unidades militares enviadas ao longo da fronteira foram informadas que a paciência do Afeganistão se "esgotou", tendo ordens de contra-atacar se a violação do espaço aéreo voltar a se repetir.

"Sem dúvida, se o Paquistão não respeitar nossa soberania e geografia, usaremos todos nossos recursos e capacidades para reagir fortemente contra aqueles que violarem nossa soberania", disse Radmanish.

O incidente aconteceu antes de o primeiro-ministro paquistanês viajar a Cabul nesta sexta-feira para se reunir com o presidente do Afeganistão, Ashraf Gani, e o chefe de Governo, Abdullah Abdullah. EFE

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