Primeiro-ministro de Israel não quer que soldado que atirou em jornalista seja processado

O primeiro-ministro de Israel, Yair Lapid, se opôs nesta quarta-feira (7) a que o soldado que atirou contra a jornalista palestino-americano Shireen Abu Akleh, que morreu em 11 de maio na Cisjordânia ocupada, fosse levado aos tribunais.

"Não permitirei que um soldado que estava se protegendo dos tiros de terroristas seja processado pela justiça apenas para sermos parabenizados no exterior", disse Lapid durante uma cerimônia militar.

"Ouço os pedidos para que os soldados sejam levados à justiça pela morte de Shireen Abu Akleh... Ninguém vai nos impor nossas regras quando estivermos lutando por nossas vidas... Nossos soldados têm o total apoio do governo", afirmou.

No dia anterior, os Estados Unidos haviam lembrado "a importância da prestação de contas" no caso de Abu Akleh, que trabalhava para a rede Al Jazeera, do Catar, e encorajado Israel a "revisar cuidadosamente suas políticas em termos de regras de compromisso (para soldados)".

Na segunda-feira, o exército israelense reconheceu que havia uma "alta probabilidade" de que suas forças tivessem matado Shireen Abu Akleh, mas não deliberadamente.

A repórter da Al Jazeera foi morta a tiros em 11 de maio enquanto cobria uma operação militar israelense no campo palestino de Jenin, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Após a morte da jornalista, que usava um colete à prova de balas com a inscrição "imprensa" e um capacete, a Autoridade Palestina e a Al Jazeera imediatamente acusaram as forças israelenses de matá-la.

A procuradoria militar israelense disse na segunda-feira que "não havia suspeitas de um ato criminoso que justificasse uma investigação criminal pela polícia militar".

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