Após inspeção na Turquia, navio com grãos ucranianos segue para o Líbano

O primeiro navio com carregamento de grãos que zarpou da Ucrânia desde a invasão russa, há cinco meses, deixou as águas de Istambul nesta quarta-feira (3) e seguiu rumo ao Líbano, graças a um acordo histórico para tentar aliviar a crise alimentar global causada pela guerra.

A inspeção do "Razoni" em Istambul durou quase uma hora e meia. Após a operação, o navio foi autorizado a navegar pelo Estreito de Bósforo para seguir viagem até o porto de Trípoli, no norte do Líbano, anunciou o ministério da Defesa da Turquia.

"Isso marca o fim de uma operação inicial de 'teste' para executar o acordo entre a Federação da Rússia, Turquia, Ucrânia e as Nações Unidas", apontou o centro de coordenação conjunta após autorizar a passagem do navio.

O navio, com bandeira de Serra Leoa, chegou na terça-feira ao litoral norte de Istambul, um dia depois de zarpar do porto ucraniano de Odessa com 26.000 toneladas de milho.

Por volta de 20 especialistas e representantes da ONU, Turquia e dos países beligerantes, realizaram a inspeção a bordo da embarcação, sob coordenação do almirante turco Özcan Altunbulak e do almirante americano reformado Fred Kenney.

A inspeção seguiu as exigências da Rússia, que deseja ter certeza do tipo de carga de todos os barcos procedentes da Ucrânia.

- 16 navios à espera -

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criticou ontem o que chamou de "Estado terrorista" russo, por "provocar uma crise alimentar para utilizar os grãos, o milho e o petróleo como armas".

O chefe de Estado ucraniano também afirmou que espera "regularidade" nos embarques.

A suspensão das exportações da Ucrânia, um dos maiores produtores mundiais de grãos, teve forte impacto com aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo nos últimos meses.

O "Razoni" zarpou graças a um acordo mediado por Turquia e ONU, que permitiu suspender o bloqueio naval russo no Mar Negro e embarcar milhões de toneladas de alimentos para distribuição ao mercado mundial, em um momento de crise alimentar.

Kiev afirma que pelo menos 16 navios com cereais aguardam para zarpar dos portos ucranianos.

Também acusa a Rússia de roubar grãos em territórios tomados pelas forças do Kremlin para depois enviá-los a seus aliados na África e no Oriente Médio, como a Síria.

- 'Arma energética' -

No campo de batalha, o exército russo afirmou nesta quarta-feira que destruiu um depósito de armas estrangeiras na região de Lviv, no oeste da Ucrânia, com "mísseis de alta precisão".

No leste, Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana, foi alvo de dois bombardeios na madrugada desta quarta, segundo autoridades regionais.

De acordo com as primeiras informações, mísseis S-300 foram disparados a partir da região fronteiriça russa de Belgorod. Um deles atingiu uma instalação civil, sem provocar vítimas, afirmou o governador Oleh Synyehubov.

A cidade de Mykolaiv, no sul do país, foi bombardeada durante a noite, anunciou o governador regional, Vitali Kim.

Pavlo Kyrylenko, governador da região de Donetsk (leste), epicentro dos combates, informou que quatro civis morreram nas últimas 24 horas.

O governo ucraniano, que executa uma contraofensiva no sul do país, anunciou ontem que havia recuperado 53 localidades nos arredores de Kherson, a primeira cidade de importância a ficar sob controle do exército russo.

A posição ucraniana foi fortalecida com a entrega de mais armamento ocidental, em particular artilharia de longo alcance.

No plano diplomático, os países ocidentais acusam a Rússia de utilizar a questão da energia como arma e represália às sanções adotadas contra Moscou.

O chefe de governo da Alemanha, Olaf Scholz, acusou a Rússia de bloquear a entrega de uma turbina que está atualmente na Alemanha, sem a qual o gasoduto Nord Stream 1 não pode funcionar normalmente.

O grupo russo Gazprom alegou que a restituição é "impossível", por causa, precisamente, das sanções aplicadas contra Moscou.

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