Primeiro navio iraniano chega ao porto de refinaria na Venezuela

Posto de abastecimento em Caracas com o cartaz escrito "não há gasolina", em 14 de maio de 2020

Primeira das cinco embarcações iranianas que levam gasolina e derivados à Venezuela para a produção de combustível, o navio "Fortune" atracou nesta segunda-feira (25) no porto da refinaria El Palito (Carabobo, norte) - informou o ministro do Petróleo, Tareck El Aissami.

"Imagens da chegada do primeiro navio, 'Fortune', a nossa refinaria El Palito. Continuamos avançando e VENCENDO!!", tuitou El Aissami, ao compartilhar imagens do navio petroleiro que tocou as águas venezuelanas na noite de sábado, escoltado por navios da Força Armada Bolivariana da Venezuela (FANB).

Um segundo navio, "Forest", entrou no país nesta segunda-feira, informou a Marinha em uma mensagem divulgada também pelo Twitter, mostrando imagens captadas de uma embarcação militar que o protege.

"A @ArmadaFANB está escoltando o segundo navio iraniano 'FOREST', o qual já se encontra em águas jurisdicionais da República", afirmou.

Por volta das 10h locais (11h no horário de Brasília), esta embarcação navegava próximo à costa do estado insular Nueva Esparta (noroeste da Venezuela), segundo o site da Marine Traffic.

A chegada dos navios ocorre em meio a uma escassez aguda de combustível, agravada durante a quarentena decretada desde 16 de março por causa da pandemia de COVID-19.

Em outros tempos, a Venezuela chegou a produzir em suas refinarias 1,3 milhão de barris de combustível por dia.

Em Caracas, diariamente, filas de veículos se formam nos postos de gasolina, onde o combustível é racionado.

Espera-se a chegada de outros três navios: "Petunia", "Faxon" e "Clavel". O navio integra uma frota com uma carga de 1,5 milhão de barris de gasolina, de acordo com a imprensa local.

Nos últimos dias, o governo iraniano alertou que haverá "consequências", caso os Estados Unidos, seu inimigo histórico há mais de 40 anos, impeçam a chegada dos navios na Venezuela.

Ao mesmo tempo, Washington classificou como "preocupante" a amizade entre Irã e Venezuela.

Com a chegada ao poder do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez (1999-2013), as relações entre Teerã e Caracas se estreitaram. O Irã expressou repetidamente seu apoio a Nicolás Maduro, seu sucessor, também apoiado por Rússia, China, Turquia e Cuba.

Os Estados Unidos tentam sufocar Maduro, a quem chamam de "ditador", acusando-o de ter sido reeleito em maio de 2018 com votos fraudulentos. O governo americano já aplicou uma bateria de sanções econômicas à Venezuela. Entre elas, um embargo de petróleo em vigor desde abril de 2019.

A produção está em queda livre neste país que conta com as maiores reservas de petróleo do mundo, passando de 3,2 milhões de barris por dia há uma década para menos de 700.000 bpd nos dias atuais.

Especialistas atribuem o colapso da indústria do petróleo a políticas fracassadas, à falta de investimento e à corrupção.