Primeiro sindicato na Europa para influenciadores da Internet ganha força em Itália

O primeiro sindicato na União Europeia para produtores de conteúdos na Internet e "influenciadores" das redes sociais tem três anos e está a crescer.

O projeto dos advogados Jacopo Ierussi e Valentina Salonia surgiu em 2017, foi constituído em 2019 e reconhecido há um mês pelo Ministério do desenvolvimento Económico como associação de categoria profissional sem fins lucrativos para um setor liberal até aqui praticamente marginalizado, embora tenha uma cotação mundial de 14 mil milhões de euros, triplicado nos últimos cinco anos.

O objetivo da AssoInfluencer é dar proteção e apoio legal aos "influenciadores" digitais e outros empreendedores da Internet e das redes sociais que têm vindo a fazer dessas atividades um trabalho altamente rentável. Pelo menos para alguns.

Este novo sindicato italiano começa agora a ganhar maior expressão num país com 350 mil produtores de conteúdos para Internet, um setor já avaliado em 280 milhões de euros, tendo registado só em Itália um crescimento de 15% em 2021, por comparação com o ano anterior, estimou o DeRev Lab.

De acordo com a agência Ansa, mais de 50% das empresas italianas realizaram no ano passado campanhas de marketing com influenciadores, o que revela a implantação destes profissionais na sociedade transalpina.

O fundador e presidente da AssoInfluencer, Jacopo Ierussi, defende uma atividade em clara ascensão e que deve ambicionar uma regulação específica.

"Devem implementar um plano de comunicação, responder aos seguidores, serem capazes de gerir a relação com as marcas e encontrar uma agência que os apoie, por exemplo a controlar todas as estatísticas dos respetivos conteúdos publicados. O trabalho é enormíssimo e deve chegar a este nível", argumenta Jacopo Ierussi, em declarações à Euronews.

O mundo da Internet não é apenas cintilante, rápido e com dinheiro fácil. É também um setor onde os trabalhadores devem saber defender os respetivos direitos e esse pode ser o papel da AssoInfluencer junto destes novos profissionais.

Daniele Ciniglio é um jovem ator italiano e já se sindicalizou. Transformou o que antes era um mero passatempo num trabalho a tempo inteiro. Criou o canal "LaMiaRoutine", onde diz contar "histórias na Internet com uma seriedade estúpida" e onde se afirma "como uma anedota".

Ciniglio é agora um produtor de conteúdos com 340 mil seguidores no Facebook e mais de 40 mil no Instagram.

"Ocupa-nos muito mais tempo do que as habituais oito horas no escritório. Há dias em que trabalho pela noite dentro; outros em que parto a cabeça a trabalhar sem qualquer sucesso. É um trabalho em todos os sentidos e é justo que seja protegido", considera esta membro de uma associação já com dezenas de sindicalizados em Itália.

O líder da AssoInfluencer dá ainda como exemplo o uso abusivo da imagem destes profissionais para reforçar a importância de eles integrarem uma associação profissional que os proteja e ajude: "Um produtor participa num evento e a sua imagem é usada para lá desse programa como publicidade promocional. Para isso, é necessário haver um consentimento específico, mas, enquanto esta profissão não for entendida como tal, concerteza existirão este tipo de problemas que estamos a tentar resolver."

Daniele Ciniglio lamenta a falta de "fundo de referência". "Não podemos pagar uma quantia por ano para podermos dizer que somos produtores. Isso não existe", acrescenta.

Estes novos profissionais liberais não são técnicos nem realizadores de vídeos. São produtores de conteúdos e influenciadores. Na Internet e nas redes sociais.

Alguns, como Chiara Ferragni, já construíram fortunas a partir de marcas pessoais. A de Ferragni, desenvolvida a partir de um blogue e que conta mais de 1,6 milhões mil seguidores só no Instagram, está avaliada em quase 40 milhões de euros.

É este setor que deve ser reconhecido pela sua especificidade, defende este novo sindicato italiano, que conta com mais de 500 seguidores no Instagram e promete defender os novos empreendedores da era digital italiana no reconhecimento social e em litígios profissionais.