Primeiro treino do Brasil no Catar tem clima leve e pouco impacto cultural

O bom gramado do estádio Grand Hamad, do clube Al Arabi, que abrigou o primeiro treinamento da seleção brasileira em Doha, no Catar, parecia a única semelhança em relação à semana anterior em Turim, na Itália. Mas o clima leve no ambiente entre os jogadores e o pouco impacto cultural sofrido após a chegada ao país da Copa do Mundo fez a mudança de ares passar quase despercebida.

Em que pese a diferença de estrutura entre o CT da Juventus e o modesto estádio da equipe local, que guarda semelhanças com estádios de equipes de médio e pequeno porte do Brasil, o técnico Tite não terá muito do que reclamar.

Quando o treinador dividiu os jogadores para a movimentação em campo, nenhuma novidade em relação à escalação. Mais treinos específicos de bola parada e de ataque contra a defesa, e a manutenção da ideia de que Lucas Paquetá será utilizado como meio-campo ao lado de Casemiro, o que permitirá que Vini Jr inicie o Mundial como titular. A tendência é que haja essa definição nos próximos dois treinamentos.

A atividade deste domingo transcorreu de forma tranquila e foi iniciada no fim da tarde, quando a temperatura em Doha já sofre uma queda considerável. O que cai por terra com a ideia de que os treinamentos na Europa levariam a um choque térmico . Como o Brasil estreia contra a Sérvia às 22h de quinta-feira, também não sentirá a diferença por enquanto. E terá tempo de se adaptar. Enquanto os atletas entravam no campo para treinar, as orações com hora marcada ecoavam pelas mesquitas.

A recepção por parte dos familiares antes de a bola rolar no treino também facilitou a ambientação. A partir do início dos jogos o contato ficará mais restrito. Uma vez que a delegação está em hotel separado. Tanto as famílias como os jogadores se depararam em seus hotéis com ambientes em que não tiveram dificuldades por conta da cultura islâmica.

No estádio do Al Arabi, banheiros para funcionários e locais chamaram atenção pela presença de locais para lavagem dos pés e para o uso do sanitário, com as chamadas “bacias turcas”, que são no chão. Os jogadores sequer se depararam com isso e seus familiares se divertiram no espaço que lhes foi reservado. Depois do treino os atletas se juntaram ao grupo e alguns jogaram jogos de criança. O clima descontraído no salão de jogos do estádio comprovou a estratégia de convivência da CBF para tirar a pressão do grupo antes e depois das partidas.