Especialistas recreim rosto de Andrea Palladio, um mistério de quase 500 anos

Roma, 12 abr (EFE).- Especialistas em arte e da Polícia Científica da Itália recriaram o rosto de Andrea Palladio, considerado um dos arquitetos mais influentes da história e de quem não existe um retrato, informaram nesta quarta-feira em um comunicado.

Após "uma longa investigação", peritos da polícia, historiadores do Palladio Museum de Vicenza (norte) e técnicos da Superintendência Arqueológica para as províncias de Verona, Rovigo e Vicenza anunciaram que revelaram a aparência física de Palladio, morto em 1580.

Assim, consideram ter dado "ponto final, quase 500 anos depois, às infinitas controvérsias sobre o rosto que teria o mais célebre arquiteto de todos os tempos", que projetou edifícios como Villa Capra, a Basílica de São Jorge Maior e o Teatro Olímpico de Vicenza e escreveu "Os Quatro Livros da Arquitetura" (1570).

Apesar da ausência de um retrato considerado "oficial", diversos pintores e seguidores tentaram no passado dar rosto ao arquiteto veneziano e só durante o século XVIII foram apresentadas inúmeras e variadas propostas sobre seu aspeto físico.

Para resolver o mistério e dar fim as controvérsias, foram estudados 12 retratos supostamente de Palladio, que agora poderão ser vistos em uma exposição no Palladio Museum, aberta ao público até 18 de junho.

As telas provêm de Vicenza, de Londres, do "Statens Museum" de Copenhague, do "Snite Museum of Art" de Indiana, de uma coleção privada de Moscou, do "Museu Nacional" de Praga, da galeria "Christie's" e de um antiquário de Nova Jersey.

Os peritos italianos analisaram as pinturas, seus materiais, estudaram do ponto de vista arquivístico e compararam as diferentes versões já feitas do rosto de Palladio.

A conclusão dos especialistas é que o verdadeiro Palladio é o representado em dois dos retratos: um em mãos de um colecionador russo e outro nos Estados Unidos e obra do pintor Bernardino India, amigo pessoal do arquiteto.

Os dois mostram um homem calvo e com barba, de testa larga, olhos redondos, sobrancelhas regulares e curvas, maçãs do rosto altas e nariz afilado.

"Através da comparação de rostos, usada para identificar criminosos, e da técnica da evolução da idade, usada na busca de desaparecidos, confirmamos os resultados da investigação histórica, resolvendo um dos casos mais antigos", assegurou o chefe da polícia, Vittorio Rizzi. EFE