Primeiros casos de cura do HIV envolveram transplante de células-tronco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O caso de cura de HIV (vírus da imunodeficiência humana) anunciado na tarde desta quarta-feira (27) é o quarto relatado no mundo. Dois homens -um americano e um inglês- e uma mulher também já ficaram livres do vírus que pode levar à Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida).

A primeira pessoa curada foi Timothy Ray Brown, também conhecido como o "paciente de Berlim". Nascido nos Estados Unidos, ele foi diagnosticado com HIV em 1995, quando vivia na Alemanha, e em 2006 recebeu o diagnóstico de leucemia.

Em 2007 e 2008, Brown recebeu dois transplantes de células-tronco da medula óssea de um doador com uma mutação no gene CCR5 que impede a entrada do HIV nas células. Alguns meses após o tratamento, já não havia traços do vírus em seu corpo.

"Após o transplante, eu me senti muito bem e sabia que, clinicamente, a minha carga viral estava indetectável. O dr. Gero Hütter, o médico que fez o procedimento que me levou à cura, mandou um relatório do meu caso para o New England Journal of Medicine, mas o artigo foi rejeitado. Então, eu pensei que deveria haver um motivo para isso, que talvez eu não estivesse curado. Mas algum tempo depois eles aceitaram, e o artigo foi publicado. Aí eu acreditei", revelou o ativista em 2019, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Na ocasião, Brown também afirmou que não queria ser o único curado e que estava feliz por ter "novos irmãos" na família, uma referência ao então recente anúncio do segundo paciente livre do vírus. Ele faleceu em setembro de 2020, em decorrência da leucemia.

O segundo homem curado, Adam Castillejo, ficou conhecido como o "paciente de Londres". Ele tinha linfoma de Hodgkin e recebeu um transplante de medula óssea de um doador com a mutação no CCR5 em maio de 2016. Em setembro de 2017, Castillejo deixou de tomar drogas anti-HIV e seus exames de sangue subsequentes não apresentaram sinais do vírus.

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, pesquisadores anunciaram o terceiro caso de cura, dessa vez envolvendo uma mulher submetida a um tratamento diferente. A paciente, que como Brown tinha leucemia, foi atendida no Weill Medical College, em Nova York, e recebeu células-tronco de cordão umbilical para tratar seu câncer.

A mulher convivia com o HIV desde junho de 2013 e descobriu o câncer em março de 2017. Em junho do mesmo ano, ela recebeu sangue do cordão umbilical de um doador com a mutação no CCR5 e células-tronco sanguíneas parcialmente compatíveis de um parente de primeiro grau.

O procedimento foi um sucesso e ela teve alta em 17 dias. A paciente, cujo nome ainda não veio a público, suspendeu o tratamento antirretroviral e seus exames não indicam mais a presença do vírus.

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