Primeiros presos de consciência libertados na Argélia após perdão presidencial

·2 minuto de leitura
Um grupo de argelinos, reunido em frente à prisão de Kolea, a oeste de Argel, na Argélia, em 19 de fevereiro de 2021

A Argélia libertou mais de 30 prisioneiros de consciência nesta sexta-feira (19), um dia após o presidente Abdelmadjid Tebboune conceder seu perdão e três dias antes do segundo aniversário da popular revolta do Hirak.

Uma dezena de detidos foi libertada, segundo ativistas de direitos humanos.

“No total, 33 pessoas foram liberadas até agora. O restante está em processo”, informou a nota do Ministério da Justiça, sem especificar os nomes.

Entre os libertados está, segundo o seu advogado, o jornalista Khaled Drareni, condenado a dois anos de prisão em setembro e transformado no símbolo da luta pela liberdade de imprensa na Argélia.

Fotos e vídeos divulgados nas redes sociais mostram os libertados reencontrando seus familiares em várias regiões do país.

Familiares, jornalistas e ativistas se reuniram em frente à prisão de Kolea desde o início da manhã, confirmou a AFP.

A medida atinge apenas pessoas que foram julgadas definitivamente, de modo que não ficou claro o destino de vários internos, que ainda aguardam a decisão da justiça sobre seus recursos.

"A libertação de pessoas não condenadas levanta problemas legais para o governo, a menos que ele reconheça que a justiça funcionou mal ou que sua prisão preventiva foi claramente decidida fora da lei", enfatizou o colunista Abed Charef em um fórum publicado na página Middle East Eye.

Na quinta-feira, Tebboune disse que "entre 55 e 60 pessoas poderão voltar para suas famílias a partir desta noite ou amanhã", mas não divulgou nomes.

Até agora, havia cerca de 70 presos em conexão com o Hirak, de acordo com o Comitê Nacional para a Libertação de Detidos (CNLD), uma associação que os apoia.

O anúncio foi feito na véspera do segundo aniversário da revolta popular sem precedentes que levou o ex-presidente Abdelaziz Bouteflika a renunciar a um quinto mandato e deixar o poder.

O movimento de protesto, suspenso desde março devido à crise de saúde, continua exigindo o desmantelamento do "sistema" político estabelecido desde a independência em 1962.

Foram convocadas para esta segunda-feira manifestações em toda a Argélia, segundo anúncios que circulavam nas redes sociais.

Além disso, Tebboune prometeu dissolver o Parlamento e convocar eleições este ano, e anunciou um reajuste ministerial.

abh-sc-agr/tp/jvb/mis/ap