Principais exemplos de crimes perpetrados no Mali, segundo relatório da ONU

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A investigação de 330 páginas da Comissão Internacional de Investigação do Mali dura seis anos, de 2012 a 2018

Um amplo relatório de investigadores da ONU sobre o Mali conclui que foram encontradas evidências de crimes de guerra cometidos por forças de segurança e outros, além de crimes contra a humanidade por extremistas e grupos armados.

A investigação de 338 páginas da Comissão Internacional de Investigação do Mali abrange seis anos, de 2012 a 2018.

O relatório foi entregue ao chefe da ONU, Antonio Guterres, que na semana passada o encaminhou ao Conselho de Segurança.

A AFP teve acesso a uma cópia da investigação nesta terça-feira(22). Estas são suas principais queixas:

- Forças armadas -

A Comissão afirma que há "motivos razoáveis para acreditar", isto é, há evidências que atendem aos padrões do direito internacional, "que as forças de segurança e defesa do Mali cometeram crimes de guerra".

Isso inclui atos de violência contra "civis e pessoas fora de combate suspeitas de cooperação com grupos armados extremistas", diz o documento.

Um exemplo citado é o da execução sumária de 16 pregadores mauritanos e malineses, a maioria árabe, na noite de 8 a 9 de setembro de 2012.

O grupo foi detido em um posto de controle, onde informou que seguia para um seminário religioso na capital Bamako.

Eles foram mortos por pelo menos cinco soldados do acampamento militar de Diabali, no centro de Mali, "que suspeitavam que fossem filiados a grupos armados extremistas", diz o relatório.

- Extremistas -

"Grupos armados extremistas cometeram crimes contra a humanidade e crimes de guerra", diz o relatório.

Isso inclui "assassinatos, mutilações e outros tratamentos cruéis, estupros e outras formas de violência sexual, tomada de reféns e ataques contra funcionários de organizações humanitárias e da MINUSMA", a força de paz da ONU em Mali.

Um exemplo, segundo o documento, é um ataque de combatentes ligados à Al-Qaeda a um acampamento do exército em Aguelhok, na fronteira norte do país com a Argélia, em janeiro de 2012.

Mais de 100 soldados morreram, muitos dos quais foram executados apesar de estarem feridos ou terem se rendido, disse a Comissão, que descreveu como um crime de guerra.

O relatório também documenta 17 casos de mulheres ou meninas que foram estupradas por membros da polícia islâmica em Timbuktu entre 2012 e 2013, quando a cidade foi ocupada pela Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQIM) e pelo grupo Ansar Eddine.

Os ataques são crimes contra a humanidade, afirma o texto.

- Grupo de autodefesa -

Os chamados grupos de autodefesa surgiram no centro de Mali, uma região com rivalidades étnicas de longa data, depois que os extremistas se mudaram para a região em 2015.

O relatório cita um massacre ocorrido em 17 de junho de 2017, no qual pelo menos 39 moradores, incluindo crianças, foram mortos na área de Koro.

A investigação acusa um grupo armado chamado Dan Na Ambassagou, proveniente da comunidade Dogon, que, em retaliação pela morte de um de seus membros, atacou várias aldeias da comunidade Fulani, também chamada de Peuls.

O massacre marcou o início de ataques "sistemáticos" contra os Fulani em Koro, diz o relatório.

"A Comissão tem motivos razoáveis para acreditar que esses atos equivalem a um assassinato que constitui crime contra a humanidade."

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