Principais recebedores do fundo eleitoral, PT e PSL têm fracasso maior que em 2016 nas prefeituras

Pedro Capetti
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RIO - Os dois partidos que disputaram o segundo turno em 2018, elegeram as maiores bancadas para a Câmara e receberam as maiores parcelas de recursos públicos para fazerem campanha saíram das urnas no domingo com um insucesso maior do que o registrado em 2016.

Dados do TSE indicam que PT e PSL conseguiram ter menor aproveitamento nas cidades onde lançaram candidatos. No caso dos petistas, apenas 179 das 1.202 candidaturas lançadas foram bem sucedidas até o momento, o que corresponde a 15%.

Em 2016, quando perdeu 60% das prefeituras que comandava, o partido havia conseguido uma taxa de sucesso maior, de 27%. Ou seja, além de encolher, o PT conseguiu ganhar menos do que era a expectativa inicial do partido.

O cálculo feito pelo GLOBO considera o número de candidatos lançados pelas siglas e a quantidade de prefeituras já conquistadas. Não foram considerados para cálculo dos eleitos as cidades que possuem resultado sub judice para prefeito, além das 57 cidades que terão segundo turno.

Como o GLOBO mostrou, a direção do partido minimizou a redução do número de cidades comandadas com o argumento de que os municípios perdidos são pequenos, com população inferior a 20 mil habitantes.

Porém, reservadamente, outros dirigentes da sigla reconheceram que o resultado ficou abaixo do esperado e defenderam que o partido faça uma revisão de suas posturas.

A expectativa era ter um desempenho suficiente para se recuperar do fiasco de 2016. Quase metade dos candidatos lançados pelo PT não fizeram coligação com nenhum partido no país.

No PSL, o percentual de sucesso é um pouco menor, de 13%. Apenas 90 dos 690 candidatos lançados foram eleitos. Com menos candidatos e menos expressão, o PSL há quatros anos foi mais efetivo, elegendo 21% dos candidatos que lançou na oportunidade.

Com um fundo eleitoral de quase R$ 200 milhões para investir em campanhas, o partido, apesar de ter elegido 60 prefeitos a mais que em 2016, sai menor do que entrou, dada a expectativa e quantidade de candidatos lançados.

Nomes como Joice Hasselmann, em São Paulo, Carlos, em Recife, Luis Lima, no Rio, e Delegada Sheila, em Juiz de Fora, não conseguiram convergir o investimento milionário como principais recebedores de recursos do "fundão" em votos.

O resultado decepcionou a cúpula da sigla, que traça estratégia para não ver o partido minguar nas eleições de 2022, caso não consiga novos expoentes. As mudanças podem passar por reformulações nos comandos estaduais.

A tendência é que a legenda tire os diretórios das mãos de deputados inexperientes, que não conseguiram somar novos políticos à legenda nestas eleições.

O topo do ranking é ocupado pelo Progressistas (PP). O partido conseguiu eleger 682 dos 1.445 candidatos que lançou no país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quase metade dos políticos da legenda conseguiram ter sucesso na corrida.

A legenda de Valdemar Costa Neto sai deste pleito como uma das grandes vitoriosas, após o declínio nos últimos anos e envolvimento de políticos da sigla em esquemas de corrupção, como a Operação Lava-Jato.

A legenda conseguiu reverter a tendência de retração que vinha desde 2000, com crescimento de 37% no número de prefeituras na comparação com 2016, e fez as apostas mais certeiras.

O Progressistas é seguido por MDB, DEM PSD e PSDB, todos com percentual em torno de 42%, o que indica que, além desses partido terem conquistados a maior parte das prefeituras pelo país, foram os mais efetivos na disputa.

Em 2016, com exceção do Democratas, eles também tinham registrado maior índice de sucesso.

Novamente, os dados consolidam a visão de que as legendas de centro seguem predominando no comando do Executivo em todo o Brasil