Principal compromisso de Tebet na saúde é ampliar orçamento, diz membro da campanha

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ampliar o orçamento federal para a saúde é um dos principais compromissos da campanha à Presidência de Simone Tebet (MDB).

A afirmação foi feita por João Gabbardo, representante da senadora na área, durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (24).

"Nos próximos quatro anos pensamos em passar de 3,8% [de investimento do PIB] para 5%", diz.

Segundo ele, esse crescimento seria destinado a arcar com o aumento de doenças crônicas registrado no país, como hipertensão e diabetes, e lidar com o agravamento da saúde mental e com o envelhecimento da população.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2021, cerca de 9,14% dos brasileiros adultos viviam com diabetes, o equivalente a cerca de 15 milhões de pessoas. Já a hipertensão arterial atingia mais de um quarto (26,34%) da população adulta.

O dinheiro também iria para ampliação do uso de tecnologias na atenção à saúde primária, como as teleconsultas, que conectariam lugares de difícil acesso e facilitariam a comunicação de especialistas como cardiologistas e neurologistas com profissionais de saúde da família.

Ainda sobre orçamento, Gabbardo defende que os recursos extras direcionados à Saúde por causa da pandemia sejam mantidos por ao menos dois anos, para dar conta do represamento de cirurgias e procedimentos eletivos causado pela crise.

De acordo com dados da Fiocruz, o SUS registrou queda de 900 milhões de procedimentos entre janeiro de 2020 e junho de 2021, em comparação com o mesmo período entre os anos de 2018 e 2019, antes da pandemia.

Gabbardo foi secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão de Luiz Henrique Mandetta e secretário de Saúde do Rio Grande do Sul entre 2015 e 2018.

Outro compromisso, diz, é acelerar a digitalização das informações dos pacientes, como internações, vacinas e exames. Segundo ele, isso ajudaria a otimizar o orçamento da saúde e diminuir as filas de espera para procedimentos no SUS.

O médico também lembra a importância de campanhas que incentivem a vacinação, contra a Covid-19 e demais doenças como sarampo. Ele critica membros do Ministério da Saúde que questionam a eficácia dos imunizantes. "Ao mesmo tempo que o Ministério da Saúde faz campanha de vacinação, está rodeado de pessoas que são completamente contrárias a vacina", diz.

Em janeiro de 2022, uma nota técnica da pasta questionava a segurança das vacinas aprovadas contra Covid-19 e defendia o uso de medicamentos sem eficácia comprovada como a hidroxicloroquina.

Na promoção à saúde, a campanha de Tebet afirma defender a criação de políticas de incentivo a hábitos saudáveis, como exercícios físicos e orientação nutricional, aliados à taxação de bebidas alcoólicas e campanhas para uma alimentação mais saudável.

Para suprir as lacunas entre a formação de profissionais e as necessidades do sistema, Gabbardo sugere a criação de macrorregiões contemplando hospitais de diferentes locais. Segundo ele, o objetivo é evitar que municípios fiquem sem atendimento de determinada especialidade.

Seriam 400 agrupamentos desses pelo país, que atenderiam cerca de 500 mil pessoas cada. Esses núcleos iriam gerir hospitais e equipes de profissionais dos municípios e estados. O objetivo é reunir todos os serviços necessários para atender determinada população, sem que haja privilégio de um município com melhor estrutura em detrimento dos vizinhos, afirma.

Para Gabbardo, o novo piso salarial da enfermagem é visto pela campanha com "muita preocupação". A lei, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em agosto, cria um salário-base de R$ 4.750 para esses profissionais. Técnicos em enfermagem devem receber 70% do valor, auxiliares e parteiras, 50%.

Um dos principais problemas, afirma, é que a lei estabelece o aumento salarial mas não aponta qual será a fonte da verba. Isso prejudicaria hospitais em regiões vulneráveis, distantes dos grandes centros, que não poderiam arcar com a remuneração.

O médico foi o primeiro convidado de uma série de sabatinas sobre saúde promovida pelo jornal, com patrocínio da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). A conversa foi mediada pela repórter especial Cláudia Collucci.

Na quinta-feira (25), às 15h, o médico Denizar Vianna fala pelo candidato Ciro Gomes (PDT). Na sexta-feira (26), no mesmo horário, o jornal entrevista o senador por Pernambuco Humberto Costa (PT), representante de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A equipe do candidato à reeleição Jair Bolsonaro foi convidada, mas optou por não enviar um representante.

A saúde é o tema que mais preocupa os brasileiros, 20% consideram a gestão da saúde o maior problema do Brasil, de acordo com pesquisa Datafolha de julho de 2022. Economia (13%), desemprego (10%), fome/miséria (10%) e inflação (9%) aparecem em seguida.