'A prioridade absoluta é a garantia do Auxílio Brasil', diz Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que "a prioridade absoluta" de um novo mandado do presidente Jair Bolsonaro, se reeleito, será "a garantia do Auxílio Brasil". Para financiar o programa social, prometido em R$ 600 por Bolsonaro, Guedes disse ser necessário a tributação de lucros e dividendos. A declaração foi feita em entrevista à Suno Research.

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— A prioridade absoluta é a garantia do Auxílio Brasil. Mais que triplicamos o programa e queremos garantir esse programa. A primeira coisa que temos que fazer é a tributação de lucros e dividendos para financiar esse auxílio. Isso já estava na Reforma Tributária — disse Guedes.

O ministro da Economia afirmou que a equipe do presidente quer avançar na Reforma Tributária, que está em análise pelo Senado. Ele defendeu que a não taxação de lucros e dividendos no Imposto de Renda "não é socialmente justo".

— Lucros e dividendos não pagam. São mais de R$ 300 bilhões por ano auferidos em lucros e dividendos e pagam zero. Isso não é socialmente justo — avaliou.

Guedes prometeu corrigir o salário mínimo acima da inflação em um novo mandato. Nos últimos anos, não houve aumento real do mínimo. A última vez em que o piso foi reajustado acima da inflação foi no início de 2019.

O ministro acusou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "fake news" sobre a proposta de Bolsonaro para o piso salarial e de "tentando roubar votos para a eleição". Ele ainda disparou que os petistas querem "acabar com o Auxílio Brasil". A campanha de Lula, no entanto, não pretende acabar com o programa, mas voltar o nome para Bolsa Família, prometendo também manter o auxílio em R$ 600.

— O outro candidato todo dia solta um fake news da gente. "Ah, eles não vão corrigir o salário mínimo". Nós vamos corrigir o salário mínimo acima da inflação (...) Agora que a pandemia foi embora, nós podemos dar um aumento real, acima da inflação. Eles ficam todo dia espalhando fake news de que não vai ter aumento do salário mínimo, tentando roubar votos para a eleição. Você está numa democracia em que as pessoas ficam inventando mentiras. Você tem que explicar para a sociedade que eles vão acabar com o Auxílio Brasil— disse Guedes.

O ministro saiu a favor de continuar a privatização de todas as estatais em um eventual novo mandato. Mas ponderou que "evidentemente, politicamente, não é o que vai acontecer".

— Tem que privatizar essas empresas (estatais). O presidente (Bolsonaro) é que sabe, politicamente, até onde ele quer ir. Se perguntar para o ministro da Fazenda dele, tem sempre a mesma resposta: privatizar todas. Vamos continuar privatizando. Evidentemente, politicamente, não é o que vai acontecer — declarou Guedes.